A integração energética entre Brasil e Argentina foi discutida na primeira reunião de integrantes da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) com representantes da embaixada e do consulado da Argentina e de entidades ligadas ao setor industrial de energia.

A partir da aprovação do Plano Argentino de Gás 2020-2024, o principal objetivo da reunião foi discutir alternativas e identificar ações que possam aproximar os dois países no campo energético.

Conforme o secretário Artur Lemos Júnior, o RS pode passar de ponta de rede, com acesso restrito ao gás por conta disso, para um centro de distribuição de gás. "Já somos parceiros da Argentina, que é detentora de uma das maiores reservas de gás do mundo, mas acreditamos que é possível criar um caminho de viabilidade para novos projetos, valorizando todo o Mercosul”, acrescentou.

O titular da Sema detalhou durante a reunião, nesta quarta-feira (18/11), as oportunidades do Estado, que atualmente conta com 3,27% de participação de gás natural na matriz energética. No restante do Brasil, a proporção é de 13,5%. “Temos muito potencial de expansão, mas é preciso ter acesso à molécula (de gás). Há duas usinas gaúchas movidas a gás natural que não operam e, uma delas, quando opera, utiliza óleo. Além disso, temos o desafio de dispor de um sistema de gasoduto de transporte que pode se tornar um hub de gás natural. A soma de esforços irá culminar em avanços tanto no Brasil como na Argentina”, destacou Artur.

Como vetor de desenvolvimento socioeconômico, o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, ressaltou que a troca de ideias entre lideranças é o indicador de um começo histórico. Como resultado do encontro, um grupo de trabalho será estruturado com profissionais do RS e da Argentina para avançar em ações práticas e efetivas.

“A competitividade é um ponto muito importante a ser considerado e formar um grupo de atores, como os que participaram da reunião, é fundamental para avaliar todas as possibilidades e aprimorar a integração energética do gás, energia elétrica e outras variáveis”, disse Scioli.

Participaram das tratativas os representantes da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), Sindicato da Indústria de Energia do Rio Grande do Sul (Sindienergia), Central Térmica de Uruguaiana (Saesa), Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), Associação Brasileira de Indústrias Químicas (Abiquim), Sindicato das Indústrias Químicas do Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).