A intenção de plantio de trigo para esta safra está alta no Rio Grande do Sul, mas os produtores estão enfrentando preocupações com a elevação dos custos de produção e a restrição do crédito bancário. Estes assuntos foram tratados durante a reunião da Câmara Setorial do Trigo, realizada nesta quinta-feira (05/05) pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr).

A Emater/RS-Ascar está realizando um levantamento sobre a estimativa de cultivo do trigo, com amostra em 300 municípios, e sua divulgação está prevista para meados de maio. “Mas a projeção é de 1,25 milhão de hectares cultivados de trigo no Rio Grande do Sul nesta safra”, disse o coordenador da Área de Culturas e de Defesa Sanitária Vegetal da Emater, Elder Dal Prá. Na safra passada, foram 1,17 milhão de hectares cultivados, com produção de 3,4 milhões de toneladas.

Já a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) estima que a área cultivada chegue aos 1,45 milhão de hectares. “Tem muito produtor que está fazendo cultura de trigo para recuperar o prejuízo da soja, e ele vai olhar o sistema como um todo para fazer o seu plantio. A grande preocupação são os altos custos de produção e a restrição de crédito bancário para a formação das lavouras. Infelizmente temos um percentual muito pequeno de atendimento com juros controlados no Estado”, avaliou o diretor e coordenador da Comissão do Trigo e Culturas de Inverno da Farsul, Hamilton Guterres Jardim.

A liberação de recursos para o Plano Safra 2021/2022, previsto pelo PLN 01/2022 e que está aguardando sanção presidencial, foi outro assunto debatido no âmbito da Câmara Setorial. Como encaminhamento, ficou decidido que um ofício deverá ser enviado pela Secretaria da Agricultura ao Governo Federal, requisitando pressa na sanção presidencial. “O prazo final para sanção é 19 de maio, mas o calendário de semeadura já começa nas próximas semanas. É preciso agilidade, para que o produtor também possa se planejar”, destacou o coordenador da Câmara Setorial, Tarcisio Minetto.

Jean Carlos Cirino, da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (Apassul), informou que a expectativa é de haver uma oferta de 3,6 milhões de sacos de sementes certificadas de trigo no Rio Grande do Sul para essa safra, podendo atender a 1,43 milhão de hectares. “No mês de março, a comercialização das sementes já estava em 71%, então está acelerada. Não há risco de falta ou escassez de sementes. Pode ser que algumas cultivares pontuais já não estejam disponíveis, mas o agricultor que quiser adquirir semente certificada, vai conseguir sem maiores problemas”, frisou.

Programa Duas Safras e encaminhamentos

Hamilton Guterres Jardim apresentou as linhas gerais do Projeto Duas Safras, um trabalho que a federação está elaborando em conjunto com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Embrapa e a Fecoagro, para estimular a implantação de safras de inverno no Estado. Além da alimentação para o setor de proteína animal, o “Duas Safras” aponta oportunidades para a cultura do trigo na produção para panificação, trigo feed para exportação e utilização de culturas de inverno para a produção de etanol, por meio do programa Pró-Etanol/RS. “Todos os assuntos que discutirmos no âmbito do programa passará por essa Câmara Setorial”, complementou Hamilton.

Entre os encaminhamentos da reunião da Câmara Setorial do Trigo, estão: formação de um grupo de trabalho com entidades que realizam os levantamentos de safra e produção, para harmonizar os dados coletados; elaboração de um artigo técnico sobre micotoxinas; elaboração de nota técnica sobre nutrientes do solo e manejo racional de fertilizantes; início da discussão sobre a alíquota de 12% do ICMS, que estaria apresentando obstáculos para a exportação do trigo gaúcho para os mercados de Santa Catarina e Paraná; e manifestação de apoio ao Programa Duas Safras. Por unanimidade, o atual coordenador da Câmara, Tarcisio Minetto, foi reconduzido para mais dois anos no cargo.

Participaram da reunião as seguintes entidades: Associação das Empresas Cerealistas do Estado do Rio Grande do Sul (Acergs), Adama Brasil, Apassul, Banco do Brasil, Biotrigo, Conab, Emater/RS-Ascar, Embrapa, Farsul, Fecoagro, JF Corretora, Moinho do Nordeste, Moinho Vacaria, OR Sementes, Sicredi e Sindicato da Indústria do Trigo do Rio Grande do Sul (Sinditrigo-RS).

Fonte: Secom