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A pandemia trouxe reflexos significativos para a saúde ocular tanto para adultos quanto para crianças, seja por consultas de rotina ou procedimentos que foram interrompidos em alguns momentos ou por uma mudança de rotina.

Nesse contexto, uma pesquisa inédita foi desenvolvida para entender a evolução e aumento dos casos de miopia nos consultórios, sobretudo em crianças. Um dos dados coletados revela que a cada década, há um aumento de 10% na quantidade de crianças que se tornam míopes.

“A pandemia pode ter acelerado ainda mais, esta é a impressão dos oftalmologistas em seus consultórios, mas não temos dados científicos a respeito para apresentar. As taxas de miopia parecem vir aumentando em 10% a cada década, o que é um dado impactante para a saúde pública. Por isso, desenvolvemos uma pesquisa inédita para mensurar os dados e entender a gravidade da miopia no Sul do Brasil, já que não há números anteriores em nossa região”, avalia a autora da pesquisa e sócia da SORIGS, Patrícia Ioschpe Gus.

Segundo a médica oftalmologista, foram selecionados 330 estudantes de escolas municipais designadas pelo Ministério Público. Sendo o trabalho, chamado de Prevalência da Miopia no Sul do Brasil, responsável por abrir a Conferência Internacional de Miopia, em Rotterdam, na Holanda.

O estudo foi realizado com estudantes de idade entre 5 a 20 anos, e constatou que 17,4% das crianças eram míopes: 15,2% portadores de baixas miopias, entre -0,50 e -5,75 dioptrias, e 2,1% são altos míopes (a partir de -6,00 dp). “Temos percebido que muitas crianças na faixa de 6 a 7 anos estão pré-míopes, ou seja, têm graus de +0,75 a -0,25, e provavelmente serão adolescentes míopes”, destaca Gus.

A miopia é uma condição que aumenta o risco de perda visual por patologias oculares associadas como catarata, glaucoma, descolamento de retina e maculopatia miópica. Ela não tem cura, mas sua progressão acelerada pode ser retardada com o tratamento adequado.

A principal característica da miopia é a visão embaçada para longe. Os sinais iniciais nas crianças e adolescentes podem se apresentar de diversas formas como, por exemplo, dificuldades para copiar no quadro na escola, se aproximar da televisão para enxergar ou apertar os olhos para focar em algo que está longe.

“Esse avanço que estamos percebendo entre os jovens também pode ter relação ao excesso do uso de telas. Recomendamos que haja uma moderação no uso, no que diz respeito às telas para uso recreativo”, comenta o presidente da SORIGS, Dr. Marcos Brunstein.

OMS

Segundo estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) hoje 2,6 bilhões de pessoas são míopes no mundo. Mais de 50% dos pacientes diagnosticados com o problema e que precisam usar óculos não têm acesso à correção visual.

Sintomas: A direção da SORIGS reforça ainda a importância de procurar um médico oftalmologista ao notar na criança ou adolescente algum dos sintomas abaixo:

– Dificuldade no aprendizado escolar: Sem conseguir enxergar de longe, a criança não acompanha corretamente as lições ou as aulas

– Cerrar os olhos, franzir a testa e tentar se concentrar ao máximo são hábitos de quem tem miopia e tenta enxergar direito.

– Dificuldade nas brincadeiras: Esportes coletivos, que podem incluir elementos gráficos, lançamento de bolas, podem se tornam especialmente difíceis para crianças com miopia.

Fonte: O Sul