A Emater divulga laudo técnico referente aos danos ocasionadas ao setor agropecuário pelo longo período de chuva. Análise é relativa aos meses de abril, maio e junho de 2017 e aponta estimativas de perdas nos principais produtos agropecuários. O técnico agrícola do Escritório Municipal, Edevin Bernich, que assina o laudo, embasa os dados com informações da Comissão Municipal de Estatística Agropecuária do Município de Ijuí e do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

De acordo com o técnico agrícola da Emater, as perdas podem ser avaliadas em duas perspectivas: por índices de perdas e o dano financeiro. Em termos percentuais, as perdas apontadas variam entre 15% e 40%, dependendo do produto. O maior índice diz respeito ao milho silagem segunda safra, o que em valor monetário equivale a um prejuízo de R$ 6.457.500,00. Mas se for levada em conta o dano financeiro, o setor de leite foi o que registrou a maior perda: R$ 9.009,000,00, com índice de perda em 15%.

Para se ter uma ideia melhor do cenário, é importante avalia o quadro com as estimativas de perdas nos principais produtos agropecuários:





Cultura


Área (Ha)


Rendimento Inicial Kg


Perdas %


Valor R$


Perdas Reais




Milho grão 2ª safra


650


7500


30


0,35


511.875,00




Milho silagem 2ª safra


2050


45000


40


0,07


6.457.500,00




Citros


124


15000


35


1,00


651.000,00




Olericolas


200


50000


35


1,50


5.250.000,00




Leite


13000 cab.


4200  l.


15


1,10


9.009.000,00




Trigo


700


3000


25


0,50


262.500,00




Canola


1000


1800


20


0,96


345.600,00




Aveia


7000


3000


25


0,40


2.100.000,00




Total

 
 
 
 

21.879.375,00





 

“O produto leite aparece com 15% de perdas quando consideramos a produção anual, a redução da produção diária está em torno de 30-50%, dependendo da propriedade. Já trigos em uma estimativa de área de 5000 ha porem até o momento somente 700 ha foram plantados e que sofreram danos”, explica o técnico agrícola da Emater.

O laudo da Emater traz também dados relativos às precipitações pluviométricas registradas no ano de 2017. Neste quesito, Bernich chama a atenção para um dado interessante: “Eventos dessa magnitude nos só tivemos dois registros em Ijuí, o primeiro em 1983, quando tivemos 321 mm de chuvas no mês de abril e  407,2 no mês de maio, ocasião em que perdemos a soja por não a termos colhido e ela apodreceu nas lavouras; o outro ocorreu em 1992, quando choveu 647,5 mm no mês de maio e tivemos a maior enchente da história de Ijuí”, informa o técnico agrícola.

Confira os números das precipitações pluviométricas registradas em 2017:





Dia


Jan


Fev


Mar


Abr


Maio


Jun




1

 

10

 
 
 

 1,5




2

 
 
 
 
 

 1




3

 
 

70

 

2


 5




4


5

 

15


49

 

 2




5

 

15

 
 
 

 2,5




6


47

 
 
 
 

 155




7

 
 
 
 
 

 15




8


17

 
 

119


20


 5




9


26


20


90


6

 
 



10


10


10


21


12

 
 



11

 

40


15

 
 
 



12

 

5

 
 

48

 



13

 
 
 
 

48

 



14

 

2

 
 

2

 



15


1

 

39


2

 
 



16


91

 

0,5

 
 
 



17

 
 
 
 
 
 



18

 
 
 
 

54

 



19

 
 

0,3

 
 
 



20

 
 
 

3


4

 



21

 
 
 

3


14

 



22

 

4

 
 

1

 



23

 
 
 

1


84

 



24


10

 
 

80


5

 



25

 
 
 

128


12

 



26


5

 
 
 

34

 



27

 
 
 
 

28

 



28

 

35

 
 

2

 



29

 
 
 
 

21

 



30

 
 
 
 

102

 



31

 
 
 
 

22

 



Total


212


141


250,8


403


503


185





  De acordo com Bernich, o regime de chuvas anual de Ijuí é de 1.650 mm, porém em pouco mais cinco meses já alcançou os 1694,8 mm. “Portanto, já superamos o volume médio de um ano inteiro. No mês de abril tivemos 403 mm e em maio 503mm, e em 8 dias do mês de junho 185 mm ou seja, nos2 meses e 8 dias choveu mais da metade do volume do ano inteiro”, explica.

  Do dia 1º de maio até o dia 5 de junho foram 26 dias com chuvas e outros tantos com céu encoberto. E isso para as plantas, segundo Bernich, é bastante prejudicial, pois as mesmas precisam de luz para realizar fotossíntese. “Como tivemos pouca luminosidade o desenvolvimento das mesmas deverá ser lento e anormal”, observa.

 Na agropecuária, segundo laudo da Emater, pode-se relatar, além de danos em infraestrutura como estradas, pontes, bueiros, danos severos nas lavouras que apresentam perdas de solo causadas pela ação da erosão; perdas no setor da bovinocultura de leite com queda de produção diária em torno de 40%. “Pelo menos 650 propriedades que se dedicam a esta atividade foram atingidas, o que pode significar perdas na ordem de 70.000 litros/dia”, esclarece o técnico agrícola. Os danos chegaram também à produção de olericolas, principalmente. Alface, repolho,  temperos,  também apresentam danos provocados pelo aumento da incidência de moléstias que causam o apodrecimento das plantas. “Além disso, as atividades de preparo de canteiro semeadura e transplante estão totalmente prejudicados. Isto trará reflexos no médio e longo prazo, pois, a falta de plantio,  e/ou transplante, neste  momento significa que não haverá produto logo ali na frente”, reflete Bernich.

As lavouras de milho que seriam utilizadas para alimentação do rebanho leiteiro não tiveram a possibilidade de serem destinadas à silagem, pois, passaram do ponto de corte e agora, só podem ser usadas para grãos. “Nas propriedades que dependem de silagem para alimentar o rebanho, esse alimento faltará mais tarde e deve atingir  a produção. Os agricultores já começam a relatar que vários de seus animais começam a apresentar problemas no casco, devido ao longo período exposto ao solo úmido”, relata o técnico agrícola.

 

Segundo Bernich, para reduzir o impacto sobre o solo, onde estão às pastagens para os animais, os agricultores estão optando em aumentar o suprimento de silagem e não colocar os animais nas pastagens. O milho que estava seco na lavoura começa a apresentar germinação de grãos na espiga, apodrecimento  e ataque de fungos em grãos, depreciando a sua qualidade. As frutas cítricas, que estão em fase de maturação, apresentam grande número de frutos atacados por fungos. “Isso ocasiona o apodrecimento e os frutos podem vir a cair precocemente do pé”, esclarece.

Há prejuízos também para as culturas de grãos que já foram semeadas. Elas sofreram com a perda de nutrientes disponíveis no solo e estão amarelas. Grande parte da área que já deveria ter sido semeada ainda está à espera da melhoria das condições climáticas para que os produtores possam efetuar a semeadura. “Algumas culturas como a aveia já tiveram seu período de zoneamento agroclimático expirado no último dia 31 maio, e para a canola, o prazo terminou nesta quinta-feira, 15”, pontua o técnico agrícola da Emater.

De acordo com Bernich, em se confirmando as previsões de tempo, não haverá tempo hábil para concluir o plantio dentro do período de zoneamento. “Isto tende a atrasar o desenvolvimento dessas culturas e também a implantação das culturas subsequentes como à da soja que se inicia no mês de outubro ou de novembro”, avalia e tudo isso, segundo o técnico agrícola, poderá acarretar em novas perdas para o setor.

Fonte: Prefeitura de Ijui