O editorial da última edição do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), publicação mantida pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), comemora a retomada do crescimento de doadores e de transplantes em âmbito nacional. Em Ijuí, a  Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante-CIHDOTT do Hospital de Caridade de Ijuí(HCI), organiza uma campanha de conscientização, durante toda a quarta-feira, no complexo hospitalar, em alusão ao Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, celebrado no dia 27 de setembro. O HCI é pioneiro nos transplantes de rins e córneas e também na captação, inclusive de fígado.

“ Mais do que a conscientização das pessoas que estiverem no hospital, em relação ao ato de doar, a peça-chave para o aumento do número de órgãos captados é a anuência dos familiares de primeiro grau em relação ao assunto. Isso porque é a família que autoriza a doação, após constatada a morte encefálica, e mesmo que o paciente fosse doador, se ele não manifestou essa vontade para os entes mais próximos, geralmente o ato não se concretiza”, explica a enfermeira e coordenadora da CIHDOTT do HCI, Francesca Bilibio Lemanski.

A portaria de 2005 do Ministério da Saúde determina que hospitais com mais de 80 leitos precisam, obrigatoriamente, formar suas equipes para promover campanhas de conscientização, conversar com a família quando da morte do potencial doador e acionar equipes de captação e o órgão responsável pela fila daquele órgão ou tecido, o qual vai indicar o hospital de destino e o responsável pelo transporte. “Infelizmente não podemos esperar o luto passar, não temos tempo hábil. Mas o ambiente é aconchegante e a conversa com a família é acolhedora”, diz a enfermeira.  

No HCI, existe uma interligação com todas as unidades do hospital para que aconteça uma adequada conversa com a família do doador, que de fato autoriza o processo. O processo de transplante requer atenção permanente e coordenação ágil, por isso a Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, que integra o Complexo Regulador do Estado, funciona 24 horas por dia, nos 7 dias da semana. Quanto a fila de espera, os números apresentados pela equipe do HCI, apontam que aqui na região, a de córneas está zerada, mas a de rins, 25 pessoas, aguardam por um transplante de rim.  A dificuldade continua sendo a doação, sendo que ano passado foram abertos 9 protocolos e 4 doações foram efetivadas e neste ano, até o momento, foram 5 protocolos e apenas 1 doação efetivada, mas a paciente doadora era contra indicada, ou seja, incompatível.  “A doação de órgãos é uma atitude que pode salvar vidas, neste contexto a conscientização da população é vital para melhorar a realidade dos transplantes no País. Para ser um doador não é necessário deixar nada por escrito, mas é fundamental comunicar a família sobre o desejo da doação”, salienta a gerente de enfermagem do HCI Claudia Goergen.  O HCI é pioneiro nos transplantes de rins, com mais de 30 anos, sendo que mais de 90 pessoas foram transplantadas nesse período.

 

Fonte: HCI