O Hospital de Caridade de Ijuí(HCI) referência em obstetrícia para a região da 17ª Coordenadoria Regional de Saúde e realiza em média 100 partos por mês, trouxe para o auditório da instituição, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, professores, acadêmicos e estudantes da área da saúde, para entender as últimas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), sobre humanização do nascimento com a médica ginecologista e obstetra Sheila Cibele Kruger Carvalho. Conforme as  orientações, a ideia é melhorar a  comunicação entre médicos e as mães, permitir que sejam as mulheres que também possam opinar sobre sua administração da dor durante o processo de dilatação e posições para o parto. Um dos aspectos centrais da recomendação é a de reconhecer que cada parto é “único” e tem um ritmo diferente.

 

A obstetra do HCI explica que para reduzir intervenções médicas desnecessárias, a OMS agora alerta que a dilatação cervical precisa ser repensada. O ritmo de 1 cm por hora de dilatação na primeira fase do trabalho de parto, padrão usado para medir o progresso do caso, seria “irrealista” para algumas mulheres e poderia ser “inexato para identificar mulheres sob risco”.  Pelas novas recomendações da OMS, uma taxa de dilatação mais lenta não deve ser um indicador de rotina para determinar se uma intervenção deve ou não ocorrer para acelerar o trabalho de parto. 

“Na avaliação da agência de saúde da ONU, é o envolvimento da mulher nas decisões do trabalho de parto que poderia mudar essa realidade. Entre as recomendações, a entidade pede que colegas médicos informem as mulheres sobre a duração do parto”, disse a médica.  

Para a OMS, as intervenções médicas em trabalhos de parto estão “generalizadas” em muitos países. Mas isso coloca uma pressão extra nos serviços de saúde e aprofundariam ainda mais a disparidade nos tratamentos. Na avaliação da entidade, uma redução no número de cesáreas desnecessárias liberaria recursos para casos em que o risco é real. Enquanto o número de cesáreas e parto com hora marcada aumenta, a entidade destaca que 830 mulheres morrem diariamente ao dar à luz.  Os profissionais da maternidade do HCI através da educação continuada, promovem diversos encontros com trocas de informações e atualizações sobre normas e recomendações internacionais.  A redução de medicamentos e intervenções é uma tendência crescente na saúde pública mundial. O próprioMinistério da Saúde já tinha anunciado uma série de diretrizes para assegurar um atendimento mais humanizado para bebês e mães brasileiras.

“Diversas delas estão também no documento da OMS, como a liberdade de posição durante o parto, o jejum não obrigatório e métodos de alívio da dor que podem ser feitos sem remédios”, finaliza Sheila Cibele Kruger Carvalho. Entre os participantes estavam o médico pediatra Renan Gomes, a professora da UFSM de Palmeira das Missões Isabel Pacheco Van der San e a gerente de enfermagem Claudia Goergen.

 

Fonte: HCI