Notícia
Comunidade Terapêutica pretende envolver os internos em atividades de reaproveitamento do lixo
A poucos meses de completar um ano de implantação, o projeto Lixo no Lixo da CNEC Santo Ângelo segue em constante expansão no município.
Na última quarta-feira, 4 de março, a coordenadora do projeto, professora Marise Schadeck, esteve na Comunidade Terapêutica SOS Vida, apresentando o trabalho a mais de 55 internos, com idades entre 13 e 65 anos.
Conforme aponta a pedagoga da Comunidade, Hercília Dutra, é grande a quantidade de lixo produzida atualmente no espaço. “Isso já uma preocupação para a equipe. Nada é reaproveitado. Nós queremos iniciar um trabalho de conscientização entre os residentes, propondo, ainda, uma parceria com o IESA”, destaca.
Com o trabalho, já iniciado com a fala da professora Marise Schadeck, a entidade pretende reaproveitar o lixo que produz e, ainda, recolher os materiais que são atualmente depositados no IESA. São garrafas plásticas, papeis e latinhas que já garantem uma fonte de renda extra a entidades como o Lar da Menina, que atende 125 crianças e jovens, e a Associação de Reciclagem e Educação Ambiental Ecos do Verde, que reúne cerca de 25 famílias de catadores.
“A questão é que o projeto está se expandido e a quantidade de materiais sólidos coletada pelo IESA já supera qualquer expectativa. De junho a dezembro de 2014, para se ter uma ideia, coletamos 64,8 m² de lixo. Cada m² corresponde a dois containers cheios. Se no início o Lar da Menina passava uma vez por semana para fazer a coleta, hoje o recolhimento precisa acontecer todos os dias. Por isso a importância de contarmos com novos parceiros, que ajudem a preservar o meio ambiente e, ainda, garantam uma fonte de renda extra à sua entidade”, explica a professora.
Palestra
Em sua fala, Marise explicou que o projeto partiu de uma iniciativa dos acadêmicos de Ciências Contábeis do IESA, que percebiam que o lixo nem sempre tinha destino adequado na Instituição – especialmente na Cantina, após o término do lanche.
Foram meses trabalhando com os alunos e divulgando materiais informativos. O projeto já começou a ser estendido ao Colégio Cenecista Sepé Tiaraju, por meio da associação do Lixo no Lixo a outra iniciativa, desenvolvida na Argentina: Os Caça Tampinhas do Mercosul. “No Brasil, não existem projetos que utilizem as tampinhas plásticas. A sua reciclagem é muito cara, o que inviabiliza o trabalho. Com isso, unimo-nos em prol da Fundação Garrahan, localizada em Buenos Aires, que oferece atendimento gratuito a crianças com câncer”, reforça a professora.
Na Fundação, as tampinhas são transformadas em kits, que são vendidos e que contribuem para a aquisição de novos equipamentos e melhorias na Instituição. Em 2014, a união entre IESA e Colégio Cenecista Sepé Tiaraju resultou na arrecadação de 37 mil tampinhas em apenas 23 dias. Os materiais foram levados pela professora Marise Schadeck a Paso de los Libres, e contribuíram para que a Fundação alcançasse o recorde mundial na arrecadação de tampinhas: foram 477 toneladas.
“É fácil dar um destino adequado ao lixo e ainda ajudar quem mais precisa. No SOS Vida, queremos implantar esse trabalho de conscientização, e até fomentar entre os internos a realização de oficinas para produção de peças que utilizem materiais recicláveis”, comenta a professora.
Data da publicação: 2015-03-06