Notícia
“Ser uma pessoa com deficiência é diferente de ser um deficiente. As pessoas com deficiência acreditam que podem ser o que elas querem”. Esta, foi uma das mensagens que a doutora Loni Elisete Manica deixou para o público refletir, durante a palestra “Educação Inclusiva para Pessoas com Deficiência” que ministrou na manhã desta segunda-feira (4) na Fenamilho, a convite da URI Santo Ângelo.
Loni Manica iniciou sua fala agradecendo à URI pelo convite, e dizendo ter orgulho de possuir um currículo com formação feita nesta Universidade. Ela explicou que a palestra é fruto de pesquisa desenvolvida entre estudantes com deficiência, gestores e professores que atuam nessa área.
A palestrante lembrou as etapas já vivenciadas em relação à exclusão de pessoas com deficiência: “no início, foi o extermínio, que ainda hoje existe em aldeias indígenas. Mais tarde, veio a fase do ‘escondido’, quando os familiares que tinham recursos, pagavam um cuidador e se sentiam liberados do ‘problema’; se não tinham recursos, isolavam a pessoa em casa com atendimento das necessidades básicas. Na sequência, vimos a etapa da integração, quando os pais passaram a aceitar e integrar na sociedade o filho com deficiência. Antes disso, os pais sentiam-se responsáveis por não terem gerado um filho perfeito e o escondiam, com vergonha. Na fase da integração, vigorou a ideia de que o deficiente poderia vir para a sociedade, mas deveria se adaptar. A sociedade não precisava alterar nada para recebê-lo.”
Segundo Loni, na fase da inclusão, que vivemos hoje, a sociedade prepara o seu mundo para receber a pessoa com deficiência. “Na última década, nenhum país evoluiu tanto como o Brasil na área de inclusão. Nós temos legislações para tudo. A grande questão é: como fazê-las acontecer?”
Abordando os diferentes aspectos da inclusão, a palestrante disse que tudo precisa começar na família – a aceitação, a compreensão e o apoio, prosseguindo com a educação, “que não deve ser entregue totalmente à escola e, mais tarde, com o trabalho”.
De acordo com a pesquisa que Loni realizou em 18 estados brasileiros, os alunos com deficiência reivindicaram paciência, material didático e metodologia diferenciadas. Disseram ainda preferir frequentar escolas onde os colegas sejam deficientes, pois ali sentem-se iguais.
Com base nos dados de sua pesquisa, levantados e avaliados em cinco anos, e que já geraram dois livros, a palestrante defendeu e questionou aspectos como: a universidade está preparada em sua totalidade para receber uma pessoa com deficiência? Quando um deficiente visual chega numa biblioteca e não encontra obra em “braile”, “software” apropriado ou condições de mobilidade, eu pergunto – quem é deficiente, ele ou o ambiente? Assim como o planejamento do educador precisa ser flexível em classe com pessoas com deficiência, a avaliação também merece ser diferenciada, ressaltou a palestrante.
A palestra de Loni Manica aconteceu no Auditório Iglenho Burtet, no Parque de Exposições, e foi prestigiada por profissionais com atuação na área do tema tratado. A palestrante é doutora em Educação pela Universidade Católica de Brasília, mestre em educação pela UFSM – Universidade Federal de Santa Maria, especialista nas áreas de supervisão e administração escolar, orientação educacional, políticas e estratégias, educação especial e equidade de gênero. Atualmente atua como Assessora Parlamentar de Inclusão e Diversidade do Senador Romário. É autora do livro “A educação profissional para pessoas com deficiência – Um novo jeito de ser docente”, publicado com apoio da Unesco, Universidade Católica de Brasília e Cátedra Unesco de Juventude, Educação e Sociedade.
Prestigiaram o evento, os diretores da URI Gilberto Pacheco, Marcelo Stracke e Berenice Wbatuba, a Secretária Municipal de Educação Rosa Maria de Souza representando o prefeito de Santo Ângelo, a Secretária Municipal de Saúde Claudete Cruz, a Gerente Administrativa da APAE Santo Ângelo Janira Manica e o Vice-presidente da Fenamilho Claudio Duarte, que deu as boas-vindas em nome da Feira e agradeceu a presença da palestrante.
Data da publicação: 2015-05-05