Notícia
A Associação dos Hospitais do Noroeste do Estado do RS, Hospinoroeste, entidade que representa os 34 hospitais da região, está diretamente ligada as ações da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, que reúne 245 hospitais. Conforme explica o presidente da Hospinoroeste, Amauri Lampert, para evitar o fechamento de leitos, diminuição da assistência, demissões e outras formas de adequar as instituições à nova realidade de corte de recursos por parte o Estado, é preciso restabelecer o diálogo com a Secretaria Estadual da Saúde. A radiografia financeira da saúde é extremamente preocupante, além do corte de 300 milhões já anunciados no início do ano, tem mais 150 milhões de reais sem pagamento, dos incentivos que diminuiria o déficit dos hospitais. Lampert disse que os cortes são fulminantes para a sustentabilidade dos hospitais que, aliado com os atrasos de 2014, colocou a rede de santas casas e hospitais filantrópicos em regime falimentar definitivo. Amanhã, dia 10, acontece na sede administrativa Fernando Ferrari em Porto Alegre, um encontro dos dirigentes da federação com o secretário de saúde João Gabbardo dos Reis.
Além endividamento acumulado de anos em R$ 1,2 bilhão, a situação das instituições filantrópicas de saúde no Rio Grande do Sul ficou ainda mais grave porque o governo do Estado atrasou o repasse de R$ 84 milhões referentes a maio por conta da prioridade estipulada pela Justiça para o pagamento da folha do funcionalismo. Em consequência disso, o número de procedimentos a serem cortados este ano deverá aumentar. A estimativa inicial era de que 4,6 milhões de serviços seriam reduzidos.
“O governo alega que tem dificuldades enormes. Não desconhecemos isso, mas ponderamos que o corte e o atraso da rede filantrópica são mortais para continuidade dos serviços”, diz o presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, Francisco Ferrer. No encontro desta sexta-feira, a ideia é buscar alternativas para evitar um colapso ainda maior no setor filantrópico. Conforme entendimento dos dirigentes hospitalares, uma opção seria a abertura de uma linha de crédito, com aval do Estado, para resgatar os 450 milhões de reais, que deixaram de entrar nos cofres das instituições.
No próximo dia 15, ocorre uma nova assembleia geral da Federação das Santas Casas, para a tomada de decisões, onde nada está descartado, nem mesmo uma paralização geral como forma de chamar a atenção para o grave problema. Muitos hospitais já estão demitindo funcionários e agravando a posição financeira. “Aquela dívida aumentou, e os hospitais estão com dificuldade de pagar os médicos e encargos trabalhistas”, declara o presidente da Federação Francisco Ferrer. As 245 Santas Casas e Hospitais Filantrópicos no Rio Grande do Sul são responsáveis por 75,2% das internações do Sistema Único de Saúde (SUS) e têm 65 mil trabalhadores.
Data da publicação: 2015-07-08