Notícia
Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas – ICF, divulgada
pela Fecomércio-RS, mesmo tendo sido realizada por amostragem revela um
dado agravante para o setor do comércio, principalmente para quem esperava
que o segundo semestre trouxesse uma reação no mercado consumidor. O
índice que mede a Intenção de Consumo das Famílias do Rio Grande do Sul
(ICF) atingiu em setembro o menor valor de sua série histórica (iniciada em
2010). A queda foi de 42,1% em relação ao mesmo período do ano passado,
ficando em 71,6 pontos. O resultado confirma a tendência que vem sendo
verificada ao longo de todo o ano.
De acordo com o setor econômico da Fecomércio RS, inflação elevada,
redução da atividade – que provoca aumento do desemprego – e queda dos
rendimentos reais, além do crescimento da taxa de juros e da depreciação do
câmbio estão entre as influências.
Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, esses fatos estão
ligados à deterioração das condições econômicas brasileiras, que têm afetado
diretamente a vida das famílias. “No âmbito estadual, podemos destacar a
percepção cada vez mais clara da incapacidade do setor público gaúcho de
enfrentar a crise com suas finanças, que culminou no aumento do ICMS”,
afirma Bohn.
SEGURANÇA NO EMPREGO
O indicador que mede a segurança com relação à situação do emprego caiu
14,0% sobre setembro do ano passado, aos 111,2 pontos. E, a avaliação
quanto à situação de renda alcançou em setembro 85,9 pontos, permanecendo
no campo pessimista influenciada pelo efeito da inflação sobre a renda real e
pela piora da situação do mercado de trabalho.
Os dados relacionados ao nível de consumo atual mostram em setembro uma
redução de 45,9% na comparação com a mesma base do ano passado, aos
55,1 pontos. A avaliação referente à facilidade de acesso ao crédito registrou
recuo de 47,0% no mesmo período analisado, aos 62,7 pontos; e o referente
ao momento para consumo de bens duráveis teve diminuição de 68,4%, aos
39,9 pontos, aprofundando ainda mais o pessimismo. A elevação dos juros
provoca queda na venda de bens duráveis, que na maioria das vezes são
adquiridos com cartão de crédito. Ainda, em relação à perspectiva de consumo,
o recuo foi de 48,8%, com o indicador chegando aos 68,4 pontos.
O indicador de perspectiva profissional caiu 36,7%, aos 78,3 pontos, como
resultado da piora gradual das condições econômicas com efeito direto sobre a
intenção de contratação das empresas e o mercado de trabalho.
MAIS IMPOSTOS
Somado a todos os fatores negativos para o comércio, o presidente do
Sindilojas Missões, Gilberto Aiolfi, destaca que o empresário vive um momento
tenso e que vai provocar mais reflexos negativos: a aprovação, por parte da
Assembleia Legislativa, do aumento do ICMS. “Isso tudo gera um desconforto
para o empresário, que já pensa em como compensar essa perda”, destaca,
acrescentando que “a cada aumento de carga tributaria diminuem os recursos que
circulam na economia. Recursos que são transferidos ao gestor público, que, por sua
vez, não retorna para a sociedade em forma de investimentos, utilizando-os para
pagar contras atrasadas, principalmente, com juros de empréstimos exorbitantes,
repetindo os mesmo erros há mais de 40 anos”, complementa. Aiolfi lembra que é
preciso também se destacar que o aumento do ICMS já causou reflexos nas contas de
energia, gás, e combustíveis, E abriu precedentes para outras tentativas de se
implantar mais tributos para o empresariado. “O governo já discute, inclusive, o retorno
da CPMF, o que já estamos em campanha contra”, destacou.
Para o patronal, a tendência nacional aponta diminuição de contratações
temporárias no final do ano deve ser confirmada, também, nas Missões. “Não
há como abrir vagas de trabalho com tanto índice negativo na economia”, diz.
Desmotivado, o setor do comércio varejista deve seguir tímido no próximo
semestre, principalmente em função de que a campanha de vendas de Natal já
prevê queda de arrecadação.
Data da publicação: 2015-10-14