Notícia
Evento integrou as atividades da Caravana Gemis, que percorre os cursos de comunicação do Estado.
A UNIJUÍ recebeu na noite desta quinta-feira (09), no Salão Azul do campus Ijuí, a palestra Gênero, mídia e construção da realidade: a naturalização da violência contra a mulher. A jornalista e defensora dos direitos humanos, Carolina Hickmann, e a jornalista, feminista, mestre e doutoranda em comunicação na UFRGS, Pâmela Stocker abordaram temáticas relacionadas a gênero no cenário dos meios de comunicação. As palestrantes são integrantes do grupo GEMIS (Gênero, Mídia e Sexualidade), um grupo de ação e debate, formado por jornalistas, pesquisadores e militantes sociais.
Contemplado no 3° Edital do Fundo Fale Sem Medo, parceria entre o Instituto Avon e o ELAS Fundo de Investimento Social, o grupo percorre os cursos de comunicação de todo o estado com palestras e oficinas para abordar as questões de gênero com futuros comunicadores. Na Unijuí, o evento foi realizado em parceria com o Projeto Plurais (www.plurais.org), desenvolvido por alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, que busca combater preconceitos pela abordagem da empatia.
As palestrantes abordaram assuntos e polêmicas ligados à naturalização da violência contra a mulher, bem como o papel da comunicação neste contexto. E incentivaram os futuros comunicadores a refletir sobre a violência simbólica, que perpassa o uso da linguagem. Em diversos casos apresentados, a publicidade usa apelos à violência sexista ou objetificação do corpo da mulher, e o jornalismo muitas vezes apela à culpabilização da vítima ou deixa de contextualizar a violência contra a mulher, abordando os casos isoladamente, em sua singularidade.
De acordo com Pâmela Stocker, um dos grandes papéis da comunicação é informar de forma responsável. “A mídia é a responsável por informar a sociedade, essa informação precisa ser repassada de forma correta, mostrando todos os lados e explicando a situação. Porém, diversas vezes, a violência é escondida pela mídia, ou vítima é culpabilizada”, explica.
As integrantes do grupo falaram sobre como a violência sutil, relatada no dia a dia pode se tornar uma violência mais grave, como o feminicídio, assassinato de uma mulher pelo simples fato de ser mulher. Outros termos foram abordados e diferenciados: quando se fala de uma pessoa transexual, tenha ela realizado cirurgia ou não, deve-se adotar o gênero com o qual a pessoa se identifica. Preconceito contra essas pessoas é transfobia, e não homofobia. Ato sexual não consentido não é sexo, é estupro. As jornalistas enfatizaram a importância de abordar questões de gênero com sensibilidade, além de denominar corretamente os diversos tipos de violência enfrentadas. O grupo tem um glossário em seu blog para auxiliar jornalistas com o esclarecimento de termos, e, dessa forma, evitar a reprodução de preconceitos. O glossário está disponível no blog do grupo, no endereço http://ggemis.
Ao final da palestra os participantes debateram questões ligadas a gênero, sexualidade e a cultura do machismo na socieda
Data da publicação: 2016-06-10