Dez cidades gaúchas recebem as atrações desta 19ª edição do projeto nacional
Sonoros Ofícios – Cantos de Trabalho é o tema do Projeto Sonora Brasil Sesc deste ano nas regiões Sul e Sudeste. Em sua 19ª edição (2015/2016), a iniciativa traz ao Estado, a partir deste mês de julho, uma série de apresentações musicais e atividades formativas. Ao todo, dez cidades gaúchas recebem espetáculos e palestras, que serão todos gratuitos: Canoas, Montenegro, Camaquã, Pelotas, Alegrete, Santa Rosa, Ijuí, Carazinho, Passo Fundo e Porto Alegre.
Com programação de julho a novembro no Rio Grande do Sul, o projeto trará quatro circuitos relacionados aos Cantos de Trabalho com os grupos “Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente” (Bahia), “Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa” (Alagoas), “Ilumiara” (Minas Gerais) e “Quebradeiras de Coco Babaçu” (Maranhão). Com isto, o Sonora Brasil cumpre a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. A formação de plateia é o que se busca por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música, estimulando o olhar crítico sobre a produção e os mecanismos de difusão da música no País.
O projeto procura despertar um olhar crítico sobre a produção e sobre os mecanismos de difusão da música no País, incentivando novas práticas e novos hábitos de apreciação musical, promovendo apresentações de caráter essencialmente acústico, que valorizam a autenticidade sonora das obras e de seus intérpretes. Mais informações podem ser obtidas junto à Unidade do Sesc de cada município e pelo site www.sesc-rs.com.br/sonorabrasil.
* Mostra Sonora Brasil Sesc em Porto Alegre
De 16 a 20 de agosto, os quatro grupos vão se apresentar na Capital, na 3ª edição da Mostra Sonora Brasil Sesc. “Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente” (Bahia); “Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa” (Alagoas); “Ilumiara” (Minas Gerais); e “Quebradeiras de Coco Babaçu” (Maranhão), terão apresentações gratuitas, sempre no Teatro do Sesc Centro (Av. Alberto Bins, 665), às 20h.
Neste ano, a Mostra terá como grupo convidado a Cia. Cabelo de Maria (SP), que vai apresentar o espetáculo “Cantos de Trabalho” e também a oficina “No Balanço da Peneira”, com vagas limitadas a 30 participantes, que serão instigados a criar seus próprios versos para encaixá-los nas melodias cantadas. Inscrições para esta oficina podem ser realizadas até 18 de agosto pelo e-mail culturacentro@sesc-rs.com.br. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (51) 3284-2071 e pelo Facebook www.facebook.com/sescportoalegre.
* Espetáculos
O tema deste ano aborda exemplos de prática de cantos de trabalho ainda vigentes em alguns estados do Brasil, com predomínio da região Nordeste, e terá um grupo representante de um segmento que produz repertórios a partir de pesquisas acadêmicas. Ao total, serão quatro circuitos nas cidades gaúchas decorrentes do assunto: Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente, no mês de agosto; Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa, em setembro; Ilumiara, em outubro; e Quebradeiras de Coco Babaçu, em novembro.
“Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa” (Alagoas): Grupo formado por cinco mulheres da região de Sítio Fernandes, município de Arapiraca, na zona rural do agreste alagoano, e Nelson Rosa, mestre de coco de roda reconhecido como patrimônio vivo do estado de Alagoas. O cultivo do fumo foi a principal atividade econômica por mais de cinco décadas em Arapiraca. As mulheres trabalhavam horas a fio sentadas no chão nos “salões de fumo”, destalando e selecionando as folhas ao som de cantigas entoadas para espantar o sono durante as madrugadas. Os cantos das destaladeiras são entoados em várias vozes, com uma só voz no improviso dos versos geralmente tirado pelas líderes do salão; são em forma de trovas rimadas e têm como característica serem arrastados e sem acompanhamento instrumental.
O grupo traz no repertório, além das canções tradicionalmente entoadas na rotina laboral da destalação, cantigas de barreiro e tapagens de casa, os rojões de eito entoados nas tarefas da roça e o pagode, música que embalava as festas em que a comunidade comemorava o chamado derradeiro dia de fumo, no encerramento da safra. O grupo é formado por Josefa Correia Lima dos Santos, Isabel Cipriano dos Santos, Regineide Rosa dos Santos, Rosália Gomes dos Santos e Rosinalva Farias dos Santos, além de Mestre Nelson Rosa.
“Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente” (Bahia): A cidade de Valente está situada no nordeste da Bahia, a 240 quilômetros de Salvador, na principal região produtora de sisal do País. As cantadeiras do sisal são mulheres que trabalharam por muito tempo nas várias etapas de produção da fibra, desde o plantio até a fabricação dos produtos derivados, e que hoje são artesãs, ofício que aprenderam a partir de projetos desenvolvidos na região. O repertório das cantadeiras, entoado em grupo durante a produção do artesanato, é formado por cantigas conhecidas desde a infância e outras de uma memória mais recente que tratam de questões cotidianas e fazem alusão a particularidades da produção sisaleira.
O grupo é formado por Izabel, Alda, Ivamarcia, Carminha, Marisvalda e Cássia. Na região também se concentram fazendas dedicadas à agropecuária bovina e caprina, o que justifica a presença de aboiadores. Ailton Aboiador e Ailton Jr., pai e filho, são aboiadores reconhecidos na região. O pai trabalhou por muitos anos na lida com o gado, transportando boiadas pelos campos do semiárido baiano. O aboio “pé duro” foi sua ferramenta de trabalho e as toadas foram sua companhia das horas de descanso no campo. O filho, desde criança acompanhava seu pai na lida com o gado e já na adolescência formava dupla cantando aboios e toadas.
“Ilumiara” (Minas Gerais): O Ilumiara é formado por cinco músicos da cidade de Belo Horizonte que também atuam como pesquisadores, sendo o único dos quatro grupos que não está relacionado a uma prática da tradição. Além das músicas apresentadas, o grupo traz em seu espetáculo a contextualização histórico-social dos cantos de trabalho no Brasil. Sua apresentação levará ao público um repertório de cantos de trabalho recolhidos da tradição, diretamente em suas fontes, ou a partir de registros de pesquisadores pioneiros como Mário de Andrade, Oswaldo de Souza e Ayres da Mata Machado. O grupo interpreta vissungos, cantigas de ninar, canto de lavadeiras, entre outros, em arranjos elaborados a partir de uma visão estética contemporânea. O Ilumiara é formado por Alexandre Gloor, Carlinhos Ferreira, Leandro César, Letícia Bertelli e Marcela Bertelli.
“Quebradeiras de Coco Babaçu” (Maranhão): O grupo é formado por oito mulheres que trabalham na quebra do coco babaçu desde a infância e hoje também exercem o importante papel de liderança na defesa e valorização do trabalho das quebradeiras, na preservação e na garantia de acesso às áreas de ocorrência da palmeira do babaçu. Atuam politicamente por meio da Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (Assema) e do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que está sediado em São Luís e engloba seis regionais organizadas em três municípios maranhenses e outros três localizados no Piauí, em Tocantins e no Pará.
A prática do canto durante a quebra do coco e durante a caminhada para os babaçuais é uma experiência que trazem desde a infância, quando acompanhavam os mais velhos, geralmente mães e avós, na lida diária. Antigamente o repertório era simplório e narrava fatos do cotidiano ou aludiam ao universo infantil através de cantigas de roda, algumas facilmente reconhecidas por estarem presentes na maior parte do País. Mas o repertório atual está diretamente relacionado à luta política. A criação do grupo ocorreu em 2004, sua formação reflete a abrangência geográfica do trabalho desenvolvido pelo Movimento das Quebradeiras contando com a participação de representantes das seis regiões onde a instituição possui representação. São elas: Dora, Moça e Silena, de Lago do Junco (MA); Nice, de Penalva (MA); Dijé, de São Luís Gonzaga (MA); Iracema, de São Domingos do Araguaia (PA); Francisca Lera, de Esperantina (PI); e Nonata, de São Miguel (TO).
* Atividade formativa
Além dos espetáculos, a palestra “Cantos de Trabalho de Um Lugar”, com Richard Serraria compõe a programação no RS. No encontro, o cancionista porto-alegrense apresenta cantos de trabalho recolhidos no Estado, em diálogo ainda com poesias e cantos populares ligados à atividade motriz presente no Sonora Brasil 2016. Tal aula/show consiste em vídeo projeção, via Power Point, ilustrada musicalmente com cantos de trabalho demonstrados no violão, percussão, samplers, Youtube e também cânticos à capela. Richard Serraria é percussionista e ligado ao tambor sopapo, fundador da Bataclã FC e Alabê Ôni. Serraria é educador popular, “artivista”, doutorando em Literatura Brasileira na UFRGS, com 5 prêmios Açorianos de Música em 20 anos de carreira musical. As palestras acontecem todas em julho, sendo em Alegrete (02/07), Pelotas (09/07), Passo Fundo (12/07), Ijuí (14/07), Carazinho (16/07), Canoas (20/07), Camaquã (21/07), Santa Rosa (23/07) e Montenegro (26/07).
Sobre o Sonora Brasil – Promovido pelo Sesc, o projeto é considerado o maior do País em circulação musical e, em 2015 promoveu 430 concertos em mais de 120 cidades brasileiras. O Sonora Brasil cumpre a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. A formação de plateia é o que se busca por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música, estimulando o olhar crítico sobre a produção e os mecanismos de difusão da música no país. Todas as apresentações são essencialmente acústicas, valorizando qualidade sonora das obras e de seus intérpretes. Desde a sua primeira edição, em 1998, já passaram pelo projeto cerca de 80 grupos em mais de 3.900 apresentações por todo o País, alcançando um público superior a 520 mil espectadores. No Rio Grande do Sul, as atividades do Sonora Brasil integram a agenda do Arte Sesc – Cultura por toda parte.
19º Sonora Brasil “Sonoros Ofícios – Cantos de Trabalho”
Programação no Rio Grande do Sul em 2016
Fotos:
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Vídeos:
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http://www.sesc-rs.com.br/Clipping/Ilumiara-Sonora-Brasil-Sesc-2016-VIDEO.MP4
* Atividade formativa
Palestra “Cantos de Trabalho de Um Lugar”, com Richard Serraria
Data: 02 a 26 de julho
Locais:
02/07: Alegrete – Das 9h às 12h, no Sesc (Rua dos Andradas, 71)
09/07: Pelotas – 9h às 12h, no Sesc (Rua Gonçalves Chaves, 914)
12/07: Passo Fundo – 19h30 às 21h30, no Teatro do Sesc (Av. Brasil, 30)
14/07: Ijuí – 19h30 às 21h30, no Teatro do Sesc (Rua Crisanto Leite, 202)
16/07: Carazinho – 14h às 17h, no Teatro do Sesc (Rua Flores da Cunha, 1224)
20/07: Canoas – 19h às 21h30, no Teatro do Sesc (Av. Guilherme Schell, 5340)
21/07: Camaquã – 19h às 22h, no Teatro do Sesc (Rua Marcírio Dias Longaray, 01)
23/07: Santa Rosa – 14h às 17h, no Teatro do Sesc (Rua Concórdia, 114)
26/07: Montenegro – 19h30 às 21h30, no Senac (Rua Capitão Porfírio, 2225)
* Mostra Sonora Brasil Sesc em Porto Alegre
Data: 16 a 20 de agosto
Local: Teatro do Sesc Centro (Av. Alberto Bins, 665)
16/08: “Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa” (Alagoas), às 20h
17/08: “Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente” (Bahia), às 20h
18/08: “Ilumiara” (Minas Gerais), às 20h
19/08: “Quebradeiras de Coco Babaçu” (Maranhão), às 20h
20/08: Oficina “No Balanço da Peneira”, da Cia. Cabelo de Maria (SP), das 14h30 às 17h30; e Espetáculo “Cantos de Trabalho”, da Cia. Cabelo de Maria (SP), às 19h.
* Espetáculos
Circuito 1: “Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente” (BA)
05/08: Canoas
06/08: Montenegro
07/08: Camaquã
08/08: Pelotas
10/08: Alegrete
11/08: Santa Rosa
12/08: Ijuí
13/08: Carazinho
14/08: Passo Fundo
Circuito 2: “Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa” (AL)
04/09: Canoas
05/09: Montenegro
06/09: Camaquã
08/09: Pelotas
10/09: Alegrete
11/09: Santa Rosa
12/09: Ijuí
13/09: Carazinho
14/09: Passo Fundo
Circuito 3: “Ilumiara” (MG)
16/10: Canoas
17/10: Montenegro
18/10: Camaquã
19/10: Pelotas
21/10: Alegrete
22/10: Santa Rosa
23/10: Ijuí
24/10: Carazinho
25/10: Passo Fundo
Circuito 4: “Quebradeiras de Coco Babaçu” (MA)
12/11: Canoas
13/11: Montenegro
14/11: Camaquã
16/11: Pelotas
18/11: Alegrete
19/11: Santa Rosa
20/11: Ijuí
21/11: Carazinho
22/11: Passo Fundo
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