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A situação dos caminhoneiros voltou ao centro do debate na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, durante audiência pública realizada em Porto Alegre. Representantes da categoria relataram dificuldades estruturais, econômicas e operacionais que impactam diretamente o transporte de cargas no estado.
A atividade foi proposta pelo deputado Jeferson Fernandes, que, em entrevista à Rádio Mundial, afirmou que o objetivo é dar visibilidade a uma categoria que, segundo ele, enfrenta dificuldades históricas. O parlamentar destacou que há um distanciamento entre as demandas dos caminhoneiros e o poder público, o que exige maior articulação institucional.
Um dos pontos centrais do debate foi trazido por Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e morador de Ijuí. Ele chamou atenção para problemas considerados urgentes no estado, como gargalos logísticos em Uruguaiana, especialmente nas operações de fronteira, além das limitações estruturais no Porto de Rio Grande.
Segundo Litti Dahmer, a precariedade da infraestrutura, aliada às condições das rodovias, aos custos com pedágios e à falta de pontos adequados de parada e descanso, compromete não apenas a atividade econômica, mas também a segurança e a saúde dos profissionais.
Outra preocupação destacada pelo dirigente é o não cumprimento do piso mínimo do frete. De acordo com ele, mesmo após a regulamentação, ainda há resistência de empresas em pagar os valores estabelecidos, o que impacta diretamente a renda dos caminhoneiros. Ele reforça que o piso cobre apenas os custos da operação, sem garantir lucro ao transportador.
Durante a audiência, também foram citadas dificuldades enfrentadas por caminhoneiros autônomos em relação a exigências e custos de regularização junto a órgãos estaduais, o que, na avaliação dos participantes, acaba restringindo a permanência de profissionais na atividade.
Como encaminhamento, os deputados Jeferson Fernandes e Halley Lino anunciaram a coleta de assinaturas para a criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Caminhoneiros Gaúchos. A proposta é ampliar o espaço de discussão e acompanhar de forma mais direta as demandas da categoria.
Entre os temas que devem ser priorizados estão a tramitação da Medida Provisória 1.343/2026, que trata do piso do frete em nível nacional, além de questões estaduais como a liberação de rodovias para veículos de maior porte, flexibilização de licenças e melhorias na infraestrutura logística.
Outro ponto em debate é a criação da chamada Casa do Rodoviário, em Porto Alegre, voltada ao acolhimento de caminhoneiros e familiares em deslocamento para tratamento de saúde.
A audiência evidenciou a pressão da categoria por medidas concretas e reforçou a necessidade de integração entre governos e entidades representativas para enfrentar os entraves do setor no Rio Grande do Sul.