Notícia
Um ano difícil. Solidão. Mudança drástica nas rotinas de trabalho. Incerteza. Angústia. Corrida para salvar vidas. Missão. Não deixar ninguém desamparado. Trabalho em equipe. De casa para o trabalho, do trabalho para casa. Pequenas alegrias. Tristeza com as perdas. Tudo isso é só um pouco do que os profissionais do Hospital Unimed Noroeste/RS vêm vivenciando há um ano na linha de frente no atendimento a pessoas com Covid-19. Não é uma simples luta. É uma batalha intensa contra um vírus novo, que já matou mais de 260 mil brasileiros. Por isso, os mais de 200 profissionais que atuam na linha de frente, diretamente na assistência aos doentes ou em áreas de apoio, renovam diariamente o compromisso de salvar vidas.
Alguns adoeceram, precisaram também ser cuidados pelos próprios colegas, mas voltaram para seguir cumprindo a missão. “Os pacientes evoluem de uma forma grave de uma hora para outra. Às vezes a pessoa está bem, depois de alguns dias precisamos internar. Foi o que aconteceu comigo”, relata o médico pneumologista Maurício Rieger, que atua há um ano na linha de frente. E complementa: “Vim para o Hospital fazer uma tomografia e já tive de ser internado. Depois de dois dias fazendo antibióticos fortes, a febre não baixava. Depois iniciou a falta de ar e eu tive que fazer uso de ventilação não invasiva. Isso me abalou muito e pude sentir na pele o que os pacientes sentem: você fica longe de todos, sozinho, não sabe se vai ficar bem, pode ser entubado. É uma doença que causa muita ansiedade. A Covid pode ser chamada de doença da solidão também. O medo é uma sensação constante, a gente não dorme pensando que à noite a saturação vai cair e você vai morrer dormindo. Isso é muito ruim para o quadro, é preciso ter persistência para vencer a doença”.
No relato destes profissionais, uma palavra bate forte e aparece repetidamente: medo. De se contaminar, de levar para casa e passar aos familiares, de perder vidas no plantão. Mesmo diante disto, foram treinados e preparados para cumprir o papel para o qual estão designados. E muitos fazem com um sorriso no rosto, procurando superar o cansaço de um ano lidando com uma doença nova e agressiva, sem interrupções, em longos e corridos plantões, especialmente agora, neste mês de março de 2021, o pior até aqui da pandemia. “Sei que faço o melhor que posso e que os pacientes estão recebendo o melhor que podemos ofertar, alta tecnologia e recursos humanos preparados. Já chorei muito e estou cansada. Eu como profissional não consigo aceitar as perdas, pois todos temos histórias, somos o amor de alguém e merecemos viver. Por isso, todos os dias peço força e saúde para conseguir fazer com que mais pessoas sejam salvas”, resume a enfermeira Patrícia Brandão.
Para além dos requisitos técnicos de cada área, dentro da UTI ou da Unidade de Isolamento para a Covid-19, na assistência aos pacientes, os profissionais têm se desafiado cotidianamente diante das questões emocionais destas pessoas. “Precisamos levar uma palavra de afeto, carinho e esperança a eles, para que não se sintam tão sós e sejam fortes. Procuramos levar sorriso através do olhar. Lá somos uma segunda família. Começamos um plantão e nunca sabemos como ele vai acabar. Ao final dele voltamos para a casa com a sensação de dever cumprido, principalmente naqueles dias com altas, em que as pessoas saem com alegria e voltam aos seus familiares. Compensa todos nossos esforços”, observa a fisioterapeuta Daiane Patrícia Stein.
Preparo. Este é um ponto que se entrelaça nos depoimentos: como lidar com uma nova e desconhecida doença? Mesmo com todas as orientações e treinamentos amplamente disponibilizados pelo Hospital Unimed Noroeste/RS, o aprendizado veio muito no fazer. “Não estava preparada para trabalhar com algo tão devastador. E não está sendo fácil, pois tem toda a paramentação, é quente, e o uso contínuo de máscara provoca algumas lesões na face, é sufocante trabalhar assim”, observa a técnica de Enfermagem Divane Bacelar Flores, que acabou adoecendo também, não teve sintomas respiratórios, porém gástricos e chegou a perder 13 kg. “Tive de aprender a conviver com a Covid emocionalmente. Acordo todos os dias e agradeço para dar o melhor aos nossos pacientes”, relata a higienizadora Maristela Lima.
E mesmo após um ano de trabalho, a Covid-19 continua trazendo surpresas e dificuldades para os profissionais. “Teve uma época em 2020, por exemplo, em que tivemos dificuldade de compra de anestésicos, em razão da demanda elevada. Tivemos de entrar em filas para adquirir medicação, todas muito necessárias para a evolução e cura. Foi bem desesperador, ficamos com um sentimento de impotência caso chegasse a faltar, o que não ocorreu. Além disso, fomos aprendendo conforme o passar do tempo, com os recursos disponíveis e com o apoio entre as áreas. Essa união nos deu muita força”, avalia a farmacêutica Ana Cláudia Beck Grauncke.
Suporte psicológico – Desde o início da pandemia a Unimed Noroeste/RS está dando o suporte necessário aos profissionais da linha de frente. Durante o ano de trabalho com a Covid-19, as equipes foram monitoradas constantemente, por meio de questionários e acompanhamentos, quanto aos níveis de estresse, depressão, ansiedade e outras questões. O objetivo foi criar um espaço de escuta, acolhimento, fortalecendo assim, o trabalho destes profissionais. A partir desses acompanhamentos, foram realizados encaminhamentos de acordo com a necessidade de cada caso.
Além dos acompanhamentos, foram elaborados materiais de apoio, como textos, cartilhas e vídeos, relacionados à saúde mental. Além de proporcionar momentos de reflexão na busca pelo autoconhecimento, o objetivo é manter a atenção e o cuidado com estes profissionais.
“Todos sentimos os efeitos da pandemia. Incertezas, medos, não saber como será o amanhã. Mas quem está na linha de frente, está ainda mais vulnerável neste momento. Neste sentido, a Psicologia vem prestar esse cuidado com aqueles que cuidam de nós, dos nossos clientes e da cooperativa”, relata a psicóloga Alessandra Costa.
RECADO DOS PROFISSIONAIS PARA A SOCIEDADE
Após este um ano de enfrentamento da Covid-19, os profissionais do Hospital Unimed Noroeste/RS deixam um recado de alerta e desejo:
“Há famílias em sofrimento, o momento é de ter mais empatia, não adianta achar que é só chegar no Hospital, pois não vai ter leitos, não vamos conseguir atender a todos. A guerra não terminou, vamos passar por momentos difíceis, mas também sei que vamos salvar muitos.”
Enfermeira Patrícia Brandão
“Desejo que as pessoas levem a sério esta doença e respeitem as orientações dos profissionais de saúde. Não é brincadeira. Tenho fé e esperança em dias melhores.”
Fisioterapeuta Daiane Patrícia Stein
“Tenham consciência. Cuidem-se e cuidem de suas famílias. Estamos fazendo o melhor que podemos.”
Técnica de Enfermagem Divane Bacelar Flores
“Obedeçam aos protocolos, usem máscara e façam o distanciamento social. É muito ruim perder um ente querido ou ver alguém perder. Precisamos continuar nos esforçando para o bem coletivo.”
Farmacêutica Ana Cláudia Beck Grauncke
“Devemos ter fé, pois isso tudo vai passar. Precisamos acreditar. Vamos seguir em frente nos ajudando, colegas, profissionais e amigos.”
Higienizadora Maristela Lima
“Mesmo depois de um ano de pandemia, seguimos. As pessoas estão cansadas do vírus, mas ele não cansa das pessoas e os casos estão aumentando, acometendo mais pessoas jovens agora também. É preciso continuar seguindo os protocolos de proteção”.
Médico Mauricio Rieger
Data da publicação: 2021-03-15