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Aspirina não deve ser usada diariamente para prevenção de AVC em idosos; entenda
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Uma nova análise dos dados de um grande ensaio clínico realizado em adultos mais velhos e saudáveis encontrou taxas mais altas de sangramento cerebral entre aqueles que tomaram aspirina em baixas doses diariamente e nenhuma proteção significativa contra derrame. Essa é a mais nova evidência de que a aspirina em baixa dose, que retarda a ação de coagulação das plaquetas, pode não ser apropriada para pessoas que não têm histórico de problemas cardíacos ou sinais de alerta de derrame.

Pessoas mais velhas propensas a quedas, que podem causar hemorragias cerebrais, devem ser particularmente cautelosas ao tomar aspirina, sugerem os resultados. Os novos dados apoiam a recomendação da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA, finalizada no ano passado, de que a aspirina em baixa dose não deve ser prescrita para prevenir um primeiro ataque cardíaco ou derrame em idosos saudáveis.

Para a maioria das pessoas que já tiveram um ataque cardíaco ou derrame, a aspirina diária deve continuar sendo uma parte importante de seus cuidados, revelam especialistas em cardiologia.

A análise usou dados do Aspirin in Reducing Events in the Elderly (Aspirina na Redução de Eventos em Idosos, em tradução livre), ou ASPREE, um estudo de controle randomizado de aspirina diária em baixa dose entre pessoas que vivem na Austrália e nos Estados Unidos. Ao todo foram mais de 19 mil participantes adultos com mais de 70 anos e livres de qualquer doença cardiovascular sintomática. Pessoas com histórico de derrame ou ataque cardíaco foi excluída do estudo.

O objetivo era revelar nuances nos dados para abordar o difícil equilíbrio que os médicos enfrentam na prevenção de coágulos e sangramentos em pacientes idosos. A justificativa era que o equilíbrio entre riscos e benefícios da aspirina pode mudar à medida que as pessoas envelhecem.

Os derrames se tornam mais frequentes devido a coágulos, bem como a pequenos vasos sanguíneos que se tornam mais frágeis com o tempo, e as pessoas mais velhas podem experimentar uma probabilidade maior de traumatismo craniano devido a quedas.

O grupo foi acompanhado ao longo de uma média de cinco anos. A análise, publicada no Jama Network, revelou que as taxas de ocorrência de AVC isquêmico e AVC hemorrágico foram semelhantes entre os pacientes que receberam a dose diária de 100 mg de aspirina e os que tomaram o placebo.

Os resultados apontam que os pacientes que faziam uso regular da aspirina sofreram 20 AVCs isquêmicos a menos, mas tiveram 29 eventos de hemorragia intracraniana. O risco de hemorragia intracraniana foi de 1,1% para os usuários de aspirina e de 0,8% para os usuários de placebo —por isso, os autores afirmam que não há nenhuma vantagem nesse uso supostamente preventivo.

A aspirina reduziu a ocorrência de acidente vascular cerebral isquêmico, ou um coágulo em um vaso que fornece sangue ao cérebro, embora não significativamente. Os pesquisadores descobriram um aumento significativo — 38% — de sangramento intracraniano entre as pessoas que tomaram aspirina diariamente em comparação com aquelas que tomaram uma pílula de placebo diariamente.

No passado, alguns médicos consideravam a aspirina uma espécie de droga milagrosa, capaz de proteger pacientes saudáveis contra um futuro ataque cardíaco ou derrame, porém, estudos recentes mostraram que o fármaco tem poder protetor limitado entre as pessoas que ainda não tiveram tal evento, e vem com perigosos efeitos colaterais.

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA recomendou no ano passado que a maioria das pessoas que nunca teve um ataque cardíaco ou derrame não começasse a tomar aspirina em baixas doses devido ao risco de hemorragia interna. O Colégio americano de cardiologia divulgou uma declaração de acompanhamento, reiterando que a recomendação “não se aplica a pacientes com histórico anterior de ataque cardíaco, derrame, cirurgia de ponte de safena ou procedimento recente de stent”.

Vários cardiologistas, entretanto, começaram a reclamar dizendo que pacientes, que necessitam de aspirina, pararam abruptamente de tomá-la, apenas para acabar na sala de emergência com um segundo derrame. Os profissionais são enfáticos ao dizer que “ninguém deveria parar de tomar aspirina sem consultar um médico”.

“Quando um estudo sai, você deve se perguntar: como eu me encaixo na população deste estudo?” disse Shlee S. Song, diretora dos Programas Comprehensive Stroke e Telestroke no Cedars-Sinai. “Se você já teve um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral, as descobertas deste estudo não se aplicam a você. Há muito barulho lá fora. No final das contas, essas coisas precisarão ser discutidas com um médico que conheça sua história específica”.

Joshua Willey, professor associado de neurologia e especialista em AVC na Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Columbia University Vagelos, disse que o cálculo de risco-benefício também seria diferente para cada paciente, dependendo de quanto tempo eles tomaram aspirina e por que seus médicos recomendaram a pílula em primeiro lugar. Para um paciente com alto risco de outra condição, como câncer colorretal, o médico pode concluir que a aspirina oferece um poder protetor que compensa o risco de sangramento do paciente.

Para os pacientes que precisam continuar tomando aspirina, disse ele, os resultados do estudo têm um significado diferente para os médicos: “Verifique seu equilíbrio, faça fisioterapia, certifique-se de que a casa está arrumada adequadamente. Faça tudo o que puder nessa faixa etária do Medicare para mitigar o risco de queda.” As informações são dos jornais O Globo e The New York Times.

FONTE: O SUL

(Foto: Freepik)

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Política atualizada em 5 de julho de 2023.