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A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou o Projeto de Lei nº 1892/2023, que propõe a criação do “Dia da Cegonha Reborn”, a ser incluído no calendário oficial da cidade e comemorado anualmente em 4 de setembro. O projeto, de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB), aguarda agora a sanção do prefeito Eduardo Paes (PSD) para entrar em vigor.
A proposta tem como objetivo homenagear as artesãs que confeccionam os chamados bebês reborn — bonecas hiper-realistas que imitam bebês recém-nascidos. Essas profissionais são popularmente conhecidas como “cegonhas”. Segundo a justificativa do projeto, os reborns têm sido utilizados não apenas como objetos de coleção, mas também com fins terapêuticos, principalmente por pessoas em situações de luto, idosos e pacientes em tratamento psicológico.
Origem da proposta e repercussão
A demanda pela criação da data partiu de integrantes da Instituição Cegonha Reborn, que atua na divulgação e valorização do trabalho artesanal com bonecas realistas. O vereador afirma que a medida busca reconhecer o impacto emocional e artístico do ofício, ressaltando que a criação da data não implica feriado ou custos adicionais para o município.
A aprovação, no entanto, gerou reações divididas nas redes sociais. Enquanto apoiadores defendem o reconhecimento do trabalho artesanal e do potencial terapêutico das bonecas, críticos questionam a prioridade da pauta em comparação com outras demandas sociais da cidade.
Fenômeno nas redes sociais
Paralelamente ao debate institucional, os bebês reborn vêm ganhando notoriedade nas redes sociais. Conteúdos produzidos principalmente no TikTok e Instagram mostram adultos simulando rotinas com os bonecos — como dar banho, colocar para dormir ou levá-los a passeios — de forma semelhante ao cuidado com bebês reais.
Essa exposição tem gerado diferentes interpretações. Alguns usuários tratam o tema com humor e ironia, promovendo vídeos com situações inusitadas e reações exageradas, enquanto outros relatam vínculos afetivos reais com os bonecos, citando conforto emocional e nostalgia.
Uso terapêutico e consumo afetivo
Fora do ambiente digital, o uso dos reborns também tem sido associado a práticas terapêuticas. Profissionais de saúde mental relatam sua utilização em contextos como luto, ansiedade e depressão, especialmente entre mulheres que passaram por perdas gestacionais e idosos em instituições de longa permanência.
Além disso, o interesse por esses bonecos se insere em uma tendência contemporânea de consumo afetivo, semelhante à popularidade de práticas como jardinagem indoor, journaling e colecionismo de miniaturas — atividades que, segundo especialistas, oferecem sensação de controle e conforto em contextos de instabilidade emocional.
Perspectivas
Até o momento, o Rio de Janeiro é a única cidade brasileira com uma proposta formal de reconhecimento das “cegonhas reborn”. Não há registros de legislações semelhantes em outras cidades ou em âmbito federal. A sanção ou veto do prefeito definirá se a data comemorativa será oficialmente incorporada ao calendário carioca.
Fonte: Jornalismo – Rádio Mundial FM