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“Nosso pai já conhecia a URI e sabia que o ensino aqui é muito bom”
Assim, pode-se começar a contar a história de três irmãos, apenas nascidos no Brasil, mas crescidos no vizinho Paraguai, onde seus pais foram residir há cerca de 25 anos, e que buscaram a URI Santo Ângelo para estudar.
Fernanda, 24 anos, está graduada em Administração-Comércio Exterior e atua na área; Laura, 19, ingressou este ano no curso de Engenharia Civil e Augusto, 15, frequenta o 1º ano do Ensino Médio.
Filhos do casal Ildo Copetti e Angela Maria Alpe Coppetti, a família reside em Nueva Esperanza, departamento de Canindeyú, no oeste do Paraguai, onde o pai iniciou na agricultura e hoje trabalha com reforma de implementos agrícolas. “O pai começou Engenharia Mecânica na URI, mas precisou parar para trabalhar. Então, hoje ele tem o maior orgulho de nos fazer estudar”, revelam os irmãos.
“Na região onde moramos tem muitos brasileiros. Em casa e com os amigos, a gente fala Português, mas na escola era só Castelhano e noções de Guarani”, conta Augusto, observando que aqui, a dificuldade que está encontrando é com a Língua Portuguesa. “Na área de Ciências eu sempre fui bem e é igual em todo o mundo, mas acredito que História do Brasil será um desafio, pois vou ver a guerra entre Paraguai e Brasil com pontos de vista diferentes. Aprendi que o Paraguai foi um país muito rico, uma grande potência, mas a partir de Francisco Solano López, perdeu muito, inclusive em território, para Brasil, Argentina e Bolívia”.
Culturalmente, prossegue Augusto, “o pessoal da fronteira respeita e fala o Guarani, mas no centro do país já não há esse sentimento. Enquanto a nossa região é calma, mais no centro existe o EPP – Exército do Povo Paraguaio. É uma força paralela que na verdade não representa o povo e fazem até sequestros”.
O jovem revela que pretende graduar-se na área de Informática e se aprofundar em redes. “Em 2016 quero começar o Técnico, que não fiz este ano porque preciso melhorar em Português”. Proveniente de escola privada no Paraguai, Augusto classifica o ensino e os professores de lá como muito conservadores. “Aqui são bem melhores para ensinar”.
E quanto à disciplina de Espanhol, será que vai tirar sempre nota 10? “Não sei, porque lá eu estudava o Castelhano e aqui é o Espanhol. É diferente”.
SAUDADE E ACOLHIMENTO
Laura não quis repetir a experiência da Fernanda, a irmã mais velha, a qual veio para a URI apenas para ingressar no ensino superior. “Ela sofreu muito para fazer o vestibular. Então, eu quis fazer o 3º ano na Escola da URI. Sofri com o idioma, estudei a guerra da Tríplice Aliança com outra visão e considero muito bom. Não vemos mais heróis ou vilões, mas cada lado lutando por seu ideal. Sofri muito com a distância dos meus pais, mas a direção e os professores da Escola me acolheram como uma família. São muito humanos. Eu chorei mais de uma vez; eles me escutavam, davam conselhos. Tenho muito a agradecer”.
Em relação ao curso de Engenharia Civil, Laura diz que é preciso muito objetivo e disciplina, pois é difícil. Ela não planeja onde irá trabalhar depois de formada. “Vai depender das oportunidades. Se for no Paraguai, terei que validar o diploma”.
O MELHOR DO BRASIL SÃO AS OPORTUNIDADES
Questionados a respeito do quê mais admiram em cada país, os irmãos têm opiniões bem definidas.
No Paraguai, Laura admira a valorização da cultura e a receptividade do povo em geral. “É um povo sofrido, muito apegado às tradições, lendas e histórias passadas de geração em geração. No Brasil, a ideia que se tem do Paraguai é limitada à fronteira. Mas ali, há um comércio dominado por árabes, que não amam o país e por isso, sequer cuidam do ambiente”.
Augusto aponta as comidas típicas e as danças. “Gosto de ‘mbeyú’, alimento indígena à base de farinha de milho e salgado, parecido com a tapioca e também o ‘kaburé’, uma massa de farinha de milho que, enrolada num cabo de vassoura, é assada nas brasas. Na área artística são muito bonitas a polca, que é uma espécie de chula, e a ‘guaranía’”.
E no Brasil, o quê gera maior admiração?
Para Laura, o destaque fica com as oportunidades para crescer e a receptividade. “Eu sou beneficiária do FIES, e sem ele não poderia pagar o curso. E o acolhimento que tive aqui na Escola foi muito importante”.
Augusto observa que “aqui no Sul é bonito ver o amor às coisas do campo e às danças. E quero destacar a Escola. Tem bastante espaço, as pessoas são receptivas e é muito bom usar a estrutura e o ambiente da Universidade. Parece que já estamos ingressando no ensino superior”.
Data da publicação: 2015-03-16