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A cidade de Santa Rosa sediou, nesta quinta-feira (30), a primeira edição do Fenasoja Soy Summit – Carbono Zero, evento que reuniu produtores, especialistas, lideranças do agronegócio e representantes do setor energético para discutir o papel da soja brasileira diante das exigências globais de descarbonização.
Realizado no Centro Cívico Cultural de Santa Rosa, o encontro ocorreu das 8h às 17h e foi estruturado em quatro blocos temáticos: oportunidades da soja, ambiente de negócios, mercado e economia, e clima e gestão. O objetivo central foi analisar como a cadeia produtiva — responsável por movimentar mais de 60 bilhões de dólares por ano em exportações — pode avançar em competitividade, sustentabilidade e inovação.
A escolha de Santa Rosa reforçou o simbolismo da data: o município completa 100 anos desde o plantio das primeiras sementes de soja comercial do Brasil, que deram origem ao desenvolvimento da cultura no país.
Ciência, biotecnologia e energia
No primeiro bloco, pesquisadores e representantes do setor produtivo destacaram avanços em biotecnologia e sustentabilidade. Dados apresentados mostraram que o Brasil utiliza apenas cerca de 8% de seu território em lavouras e lidera mundialmente em área de plantio direto, modelo que reduz erosão e emissões de CO₂. Também foram apresentadas soluções de geração de energia a partir de biomassa como ferramenta de redução de custos e emissões dentro da cadeia.
Crédito rural, segurança jurídica e mercado de carbono
O segundo bloco abordou temas estruturais do agronegócio, como segurança jurídica no crédito rural e oportunidades do mercado de carbono no Brasil. Especialistas apontaram que práticas como recuperação de áreas degradadas e plantio direto já geram ativos ambientais, mas muitos produtores ainda não sabem como converter esses ganhos ambientais em receita.
Soja como plataforma energética global
Durante a tarde, o debate voltou-se ao potencial energético da soja. Representantes do setor de biocombustíveis mostraram números que colocam o Brasil em posição estratégica na transição energética, especialmente na produção de biodiesel e de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). O painel também destacou desafios de competitividade e ambiente econômico, ressaltando a necessidade de melhorar a narrativa internacional do país.
Clima e gestão: impactos diretos na produção
O último bloco tratou dos efeitos climáticos sobre as safras gaúchas, após anos marcados por estiagens e excesso de chuvas. Especialistas apresentaram projeções climáticas para 2026 e para a próxima década, indicando tendência de chuvas irregulares e períodos secos mais longos. A orientação unânime foi clara: investir em manejo de solo, planejamento e práticas conservacionistas para aumentar a resiliência das lavouras.
Dados apresentados mostraram ainda que as perdas no agronegócio do Rio Grande do Sul já ultrapassam R$ 80 bilhões desde 2020. Por outro lado, programas de assistência técnica têm demonstrado que medidas de manejo podem elevar a produtividade entre 10% e 30%.
Encerramento
O evento encerrou com avaliação positiva dos organizadores e confirmação de uma segunda edição. A participação do público durante todo o dia reforçou o interesse do setor em debater o futuro da soja brasileira em um cenário global que exige eficiência, sustentabilidade e inovação.