Notícia
Um novo capítulo marca a história do Hospital Unimed Noroeste/RS.
Mais uma história marcada pelo amor e pela solidariedade, que contribui para
renovar a esperança de outras vidas. A Central de Transplantes do Rio Grande
do Sul realizou neste sábado, 14, a primeira captação de órgãos no serviço
próprio da Unimed. O doador do sexo masculino, de 49 anos, residente em
Ajuricaba, sofreu um AVC isquêmico e estava internado desde o dia 6. Exames
clínicos e de imagem realizados na quinta-feira, 12, diagnosticaram a Morte
Encefálica e determinaram o início do processo de doação.
As últimas 48 horas foram de identificação de possíveis receptores. Os
exames indicaram para a retirada de fígado e rins do doador. A equipe da
Central de Transplantes chegou ao Aeroporto Municipal próximo das 12h30,
formada pelo médico Juliano Martini e pelo enfermeiro Geovani Weber. O
procedimento no Centro Cirúrgico do Hospital Unimed teve duração de cerca
de 2 horas.
Segundo o médico, "os possíveis doadores existem”. Porém, a Central
de Transplantes enfrenta dificuldades para identificá-los e na estrutura para
que se tenha efetivamente a captação. Juliano Martini estima que no Estado
150 pessoas estão na fila para transplante de fígado e entre 600 e 700
aguardam para transplante de rins.
Desde o momento em que é feita a comunicação de possível doador à
Central, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para
Transplante (Cihdott) é responsável por manter o paciente estável. A
enfermeira Taíza Lorenzoni Dalla Rosa explica que o doador é mantido em
aparelhos, com controle rigoroso de pressão, temperatura e demais sinais, de
modo a assegurar a sua condição. Ela classifica como um “momento especial”
para o Hospital Unimed Noroeste/RS.
A instituição estava se preparando para realizar este tipo de
procedimento desde o final de 2015. O credenciamento no Sistema Nacional
de Transplantes para captação de órgãos e tecidos ocorreu em setembro de
2016 e representa mais um marco pela busca constante da qualificação de
seus serviços. A partir de então, a notificação de Morte Encefálica (ME)
tornou-se obrigatória à Central de Transplantes do Estado, visando a
identificação de possíveis doadores. Porém, a captação de órgãos e tecidos só
acontece após a autorização familiar.
Exemplo de vida – Foi o exemplo de vida e o respeito a vontade do pai
que levou a família optar pela doação. “O pai sempre foi um exemplo. A
trajetória de vida dele sempre foi se doar às pessoas, na igreja, como líder
comunitário, na vida política. Deus nos deu essa incrível missão”, relata o
filho. Junto com a mãe e as duas irmãs, passaram a manhã na Sala de Estar do
Centro Cirúrgico do Hospital Unimed na espera da equipe da Central de
Transplantes. “O que está nos confortando é que um pedacinho dele vai
continuar vivendo aqui na terra. Ele foi exemplo de doação. Este é o maior
exemplo que vamos levar dele”, complementa emocionado.
A empatia foi outro sentimento que aflorou na família neste período de
espera pela captação, fazendo cada um colocar-se no lugar daqueles que
esperam angustiados por um órgão. “Se fosse ele que estivesse precisando, a
gente é que estaria esperando”, ilustra uma das filhas. A outra filha reforça
dizendo que “a gente está cumprindo essa missão em favor dele”,
acrescentando que o pai sempre ensinou a esperar e acreditar. “É dolorido,
mas gratificante. Dá conforto e um certo alívio”. O gesto comoveu pessoas
ligadas à família. “É uma coisa maravilhosa de ver essa família, a segurança
em fazer a doação”, conta uma amiga, que acompanhou a esposa e os filhos
do doador nos últimos dias.
Data da publicação: 2017-10-16