Notícia
Desde o início de julho, a Secretaria Municipal de Saúde vem desenvolvendo a Campanha de Vacinação contra o HPV e Meningo-C. A estratégia adotada, para alcançar o maior número possível de crianças e adolescentes das faixas etárias definidas pelo Ministério da Saúde como públicos-alvo, foi a articulação com as escolas públicas e particulares do município de Ijuí. Nesse sentido foi organizada uma agenda e desde o dia 4 as equipes estão indo às escolas para aplicar a dose da vacina nas crianças e adolescentes, mediante autorização dos pais ou do responsável legal. O resultado, contudo, não está sendo o esperado, até porque três escolas particulares optaram por não aderir a Campanha. Mas com o objetivo de ampliar a cobertura vacinal, a partir de agosto serão implantadas novas estratégias, entre as quais está a realização de um Dia “D”, para alcançar o maior número possível de crianças e adolescentes. Com o objetivo de divulgar esta e outras ações e levar à população mais informações acerca da importância da vacina, a Coordenadoria de Comunicação conversou com a secretária Adjunta da Saúde, enfermeira Andréia Amorim dos Santos.
Coord. Comunicação: O Município de Ijuí vem, há alguns dias, desenvolvendo uma campanha de vacinação com vistas à prevenção do Meningococo-C e do HPV. Ambas as doenças consideradas grave problema de saúde pública pelos riscos que acarretam às pessoas acometidas pelos respectivos vírus. Secretária Adjunta Andréia Amorim, qual avaliação a senhora faz neste momento, sobre os resultados já alcançados pela Campanha? E quais ações estão sendo previstas no sentido de sensibilizar os pais quanto à importância da proteção de crianças e adolescentes contra essas duas doenças?
Secretária Adjunta Andréia Amorim dos Santos: A minha avaliação imediata quanto à vacinação contra o HPV e a Meningocócico Tipo C para os adolescentes, é negativa. No momento em que eu me preocupo com a nossa cobertura vacinal que ficou em 30% para o HPV, e em 50% para a meningocócica em 50%. São índices muito baixos para o município de Ijuí que tem um histórico de 2014, com uma cobertura de 85% das metas a serem atingidas e de 65% em 2015.
Coord. Comunicação: A que a Senhora atribui esse baixo desempenho?
Secretaria Adjunta Andréia Amorim: vimos nessa baixa procura, o reflexo de campanhas feitas pela imprensa, mídias on-line, especialmente, que não levaram em consideração questões técnicas a serem necessariamente avaliadas em se tratando de questões de saúde especialmente. Portais de Internet fizeram avaliações diversas e, e porque não dizer, equivocadas, prejudicando a compreensão dos pais ou do responsável por aqueles meninos e meninas integrantes do público-alvo e que precisa se protegeram contra essas duas doenças que fazem muitas vítimas. Eu me preocupo porque o nosso adolescente, com a campanha, tem uma oportunidade impar, ele está tendo mais uma chance , na busca de uma ação preventiva diferenciada que é a vacinação. Não é para todas as faixas etárias que a vacina está disponível e quanto ao HPV é mais uma forma de evitar alguns tipos de câncer. E, evitar câncer por meio de vacina é raríssimo, só temos nesses casos: contra o câncer de colo de útero, contra o câncer de pênis. Então, temos que aproveitar esse recurso que é gratuito e está disponível para esses públicos-alvo específicos; Quanto à meningocócica-C, é importante dizer e conscientizar os pais que a meningite ainda mata. Ainda temos jovens e adultos, morrendo por meningite, uma doença que também pode ser evitada. Crianças foram vacinadas numa faixa-etária em que perderam um percentual da imunidade. É por isso, então, que está sendo oferecida mais uma dose de reforço. E, muitas crianças não receberam no passado essa vacina, porque ela entrou numa ocasião em que as crianças não tiveram oportunidade, pois ela passa a fazer parte do esquema em 2014. Então, de lá para cá, as crianças são vacinadas. Mas aquelas nascidas anteriormente, lá por 2010, 2011, não tiveram essa oportunidade. Por isso está sendo oferecida a vacina para esta faixa etária.
Coord. Comunicação: Com base na sua avaliação, é importante nesse momento, fazermos um chamamento aos pais, sensibilizando-os para que tenham um olhar mais atento a essa questão e, para que eles aproveitem esse período de férias, para levarem seus filhos a uma das Salas de Vacina da Rede Pública, para que eles possam receber a vacina e sejam assim protegidos. Até porque é, importante lembrar, também, é responsabilidade dos pais, até a maioridade dos filhos, terem esse cuidado com sua saúde, buscando sempre que possível, usufruir das políticas de saúde pública, colocadas à disposição da população?
Secretária Adjunta Andréia Amorim: Com certeza! O município de Ijuí, pela experiência do passado, buscou novamente desenvolver uma estratégia de ampla abrangência: a vacinação nas escolas. Mas isso não isenta os pais da responsabilidade, porque esse adolescente só está sendo vacinado mediante autorização dos pais. Essa autorização foi encaminhada pelas escolas. No município de Ijuí, no momento, a maioria das escolas está engajada na campanha. Mas temos ao menos três estabelecimentos da iniciativa privada que não aderiram à campanha e cujos alunos não estão recebendo a dose da vacina. É importante, portanto, que os pais, cujo filhos não tenham chegado em casa como formulário a ser preenchido, procurem por conta própria, as salas de vacina da rede pública para que seus filhos possam ser protegidos contra o HPV e contra a meningite meningocócica tipo C. Em agosto vamos estar retomando a nossa atividade e, também, o diálogo com essas escolas. Nós temos toda uma consequência posterior se a adesão à Campanha não chegar aos 80%, porque muitos jovens não terão essa cobertura vacinal e os jovens não estão sozinhos. Eles integram grupos, equipes, têm irmãos, primos, eles têm vida social muito ativa. É importante lembrarmos que essas doenças são transmissíveis, passa de uma pessoa para outra, com muita facilidade. Então, precisamos ter um controle em massa. Não adianta nós vacinarmos um ou dois. Temos de vacinar o grupo. E hoje o nosso objetivo são as meninas de 9 a 14 anos de idade, para proteção contra o HPV, e meninos de 11 a 15 anos completos até 1º de junho de 2017. Já para Meningo-C são as meninas e meninos de 12 a 13 anos. E isso está muito bem esclarecido no trabalho de divulgação feito junto às escolas e pela mídia. Quem tiver dúvida, não deixe de buscar informações com um profissional de saúde, um profissional técnico que possa auxiliar e prestar esclarecimentos, bem como às nossas salas de vacina.
Coord. Comunicação: Para reverter esse quadro, que estratégias estão sendo propostas pela Secretaria Municipal de Saúde?
Secretária Adjunta Andréia Amorim: Nesse momento de férias de julho, nós gostaríamos que os pais se conscientizassem sobre essa questão e acompanhassem seus filhos que não receberam a vacina, na Escola, até a unidade de saúde mais próxima de sua residência que tenha sala de vacina, para realizar essa vacina. A vacina está disponível, independente da menina ou menino dessas faixas etárias, terem recebido a vacina na Escola, pois ela está sendo oferecida nas unidades de saúde, também. A gente respeita que muitas crianças e adolescentes gostam que seus pais as acompanhem nesse momento. Então estamos lá, aptos a recebê-los para que efetuem a vacina e fiquem protegidos. A outra estratégia é retomar as nossas conversas, um bom diálogo, com diretores dessas escolas particulares e, também faremos um Dia “D”, somente para HPV e Meningo-C, para os adolescentes, no dia 5 de agosto, das 8h às 16h, em locais estratégicos e salas de vacina. Nesse dia estarão abertos o Centro Municipal de Saúde, como local central, e as Unidades da Penha, do Modelo, Thomé de Souza, Centro Social Urbano, Luiz Fogliatto e Tancredo Neves. E ainda vamos avaliar também o quantitativo de crianças no Getúlio Vargas. Mas, em princípio serão essas oito unidades com Sala de Vacina.
Coord. Comunicação: E Interior?
Secretária Adjunta Andréia Amorim: A nossa equipe do Meio Rural está indo até as escolas até o momento. Então, quem não recebeu a vacina pode procurar a Unidade do Interior para a vacinação de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h, ou também no Dia “D”, mas aí na cidade, no Centro Municipal de Saúde ou numa das demais unidades com Sala de Vacina, mais próximas do Interior como Thomé de Souza, Modelo, como ficar melhor.
Coord. Comunicação: Há contraindicação para essas vacinas?
Secretária Adjunta Andréia Amorim: apenas para a criança ou adolescente que tenha sensibilidade, uma hipersensibilidade, a um dos componentes da vacina ou para questões neurológicas. Por exemplo, um indivíduo que tenha hoje constatada uma doença neurológica ativa, como Guillain-Barré, ou alguns casos específicos de convulsão ativa, a gente prefere que busque uma orientação médica, do seu neurologista. Apenas nesses casos, é contraindicado. E, claro, se uma dessas adolescentes estiver gestante, também não deve receber a vacina nesse momento, mas posteriormente, deverá se imunizar, sim.
Coord. Comunicação: Secretária, quais são as razões que levam a autoridade de Saúde a se definir por este ou aquele público-alvo? Muitas pessoas acabam se preocupando e chegam mesmo a ponderará a possibilidade de vacinação de indivíduos muito jovens possa representar um estímulo a uma sexualidade precoce. Mas esse com certeza não é o objetivo e, acreditamos também que com boa informação isso não venha a ocorrer?
Secretária Adjunta Andréia Amorim: Muito importante essa pergunta por que estudos – e o Ministério da Saúde também trabalha com estudos epidemiológicos do mundo – comprovam que a imunização do HPV é mais efetiva na faixa etária de 9 a 13 anos. Ela atinge um índice muito alto de proteção, em torno de 96%, se a vacina é aplicada nessa faixa etária. Tudo tem um por quê. Por isso que ao nascer, a criança recebe vacina “x” ou “y”, em virtude da imunidade. E nesse caso do HPV, também, é em virtude dos estudos que comprovam a melhor eficácia da vacina.
Data da publicação: 2017-07-24