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Os principais hospitais privados do país estão entrando no mercado de formação médica, com cursos cujas mensalidades alcançam R$ 13 mil — acima da média nacional, de R$ 10 mil. Há atualmente pelo menos nove graduações de Medicina abertas ou já habilitadas que são administradas por unidades hospitalares — quatro delas liberadas a partir de 2024. Dois nomes de peso, a Rede D’Or e a Beneficência Portuguesa, tiveram avanços importantes em seus processos de credenciamento nos últimos dois meses. O Sírio-Libanês conseguiu a autorização em 2024 e o Albert Einstein, em 2016.
A entrada desses atores no mercado de graduação de Medicina é impulsionada por um edital de dois anos atrás, criado pelo Ministério da Educação (MEC), especificamente para os hospitais. Pelas normas, eles não precisam mais atender às regras do Mais Médicos, que impedem a abertura de cursos onde já existem muitos profissionais da área ou já tem ofertas da graduação.
— Pelo perfil dos hospitais, eles têm toda capacidade de formar bons médicos, mas a decisão de um edital específico para eles foi político; não técnico. As cidades que estão recebendo esses cursos já têm outras graduações e muitos profissionais — avalia Mário Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo (USP) e pesquisador da área de ensino médico.
Quatro hospitais já foram beneficiados com as regras mais brandas. O Sírio Libanês foi o primeiro deles, ainda em 2024, com mensalidades a R$ 13 mil. Em 2025, saiu a autorização do Moinhos de Vento, de Porto Alegre, que cobra aproximadamente o mesmo valor pela mensalidade. Em março passado, foi a vez da Rede D’Or, no Rio, e na semana passada, da Beneficência Portuguesa, também de São Paulo.
— A formação médica de qualidade exige uma imersão contínua na prática clínica real. A proximidade de um hospital com o curso permite que o estudante vivencie, desde cedo, a complexidade do cuidado em saúde, compreendendo o paciente de forma integral e desenvolvendo competências que não podem ser plenamente adquiridas apenas em sala de aula — defende Christian Morinaga, coordenador do Curso Médico da Faculdade Sírio-Libanês.
A primeira turma do Sírio foi admitida em 2025 com cem alunos. Neste ano, uma nova leva entrou no primeiro semestre. De acordo com Morinaga, a unidade Bela Vista do Sírio-Libanês, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez seu check-up anual em março, é utilizado pelos alunos desde o primeiro semestre do curso. O Einstein e outras unidades de saúde também utilizam seus prédios principais para aulas práticas. No entanto, é comum que esses hospitais façam a gestão de unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e que parte dessa formação também aconteça nesses espaços.
— O Einstein decidiu abrir o curso a partir do momento que que foi crescendo como hospital e conseguindo entregar excelência em saúde e viu necessidade de formar profissionais para atuar nas nossas unidades de saúde e para melhorar a saúde do país — afirmou Elda Maria Stafuzza Gonçalves Pires, coordenadora acadêmica da graduação em Medicina do Albert Einstein.
fonte – JORNAL O0 GLOBO