Notícia
O avanço da medicina reprodutiva é surpreendente. Desde o nascimento de Louise Brown, em 1978, a ciência impulsiona novas descobertas que beneficiam muitos casais a conquistar a gravidez desejada. Nos primórdios do Fertilitat, trabalhávamos com pouco mais do que a chance natural dos casais engravidarem. Hoje, oferecemos uma oportunidade de gravidez que pode ultrapassar 60% e com a segurança quase absoluta de que o bebê nascerá livre de alterações cromossômicas. Naquelas famílias que carregam mutações genéticas, cujos descendentes sucumbem ou padecem com alterações físicas e emocionais, podemos cessar a sequência da doença nas proles subsequentes. Podemos preservar a fertilidade para o futuro e oferecer chance de gravidez quando a idade é avançada.
Mas, o que vem pela frente? Será que a fertilização in vitro (FIV) oferecerá 100% de sucesso no futuro? Poderemos livrar toda e qualquer alteração gênica ou cromossômica e criar uma criança perfeita? Será que no futuro gerar um bebê pela FIV será o normal e seguro, estando a concepção natural predestinada ao risco?
Não há dúvidas de que o futuro nos reserva um progressivo domínio sobre a odisseia da infertilidade. Haverá um dia em que a medicina se embaraçará, apenas, em pequenas causas inexplicáveis, talvez por obra específica da natureza e que não compete ao homem realizá-la.
Embora pareça o ideal, tentar refinar a genética fazendo o mapeamento completo dos gens do embrião vai de encontro frontal a dilemas éticos relacionados. Sabemos que os humanos já nascem com inúmeras mutações, e vão criando novas com o envelhecimento. Mas quando se sabe a presença desse tipo de alteração, antes mesmo da transferência dos embriões, muitos casais tendem a não querer transferir os que apresentam qualquer tipo de mutação, mesmo que nunca viessem a acontecer enquanto vivessem. Por isso, tão importante quanto a genética é o poder da natureza em avivar a condição ou amenizá-la e nunca deixar que a se manifeste.
Atualmente, através de técnicas de reprogramação celular, transformando um tipo de célula em outra, podemos criar células germinativas – espermatozoides e óvulos – a partir daquelas da pele, por exemplo. Num futuro não distante, uma única pessoa ou casais homoafetivos não dependerão de células germinativas do sexo oposto para darem seguimento no projeto de ter filhos. Da mesma forma, acompanhando a tendência pela busca da gestação tardia ou naquelas mulheres com falência iminente de seus ovários, haverá possibilidade de coletar uns poucos óvulos e multiplicá-los exponencialmente e ter sua fertilidade preservada indefinidamente.
Muitos dissabores que hoje os casais sofrem na constituição da prole, ao seu tempo, serão amenizados ou eliminados. Dilemas éticos serão inevitáveis, porém, o equilíbrio entre o avanço da ciência e sua aplicabilidade é fundamental para o bem-estar das pessoas.
Data da publicação: 2017-08-21