Notícia

Um estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a pedido da UGEIRM, demonstra o impacto devastador da política salarial adotada pelos governos Eduardo Leite sobre os policiais civis do Rio Grande do Sul. De acordo com o levantamento, as perdas salariais acumuladas chegam a 25,15%, o que equivale, na prática, ao confisco de aproximadamente 14 salários ao longo de oito anos.
O estudo também revela que, caso os salários tivessem sido corrigidos pela inflação no período, o salário inicial da carreira policial deveria ser de R$ 9.489,00. Atualmente, no entanto, o valor pago é de R$ 7.299,55, uma diferença mensal de R$ 2.189,45, que deixa de chegar ao bolso dos policiais civis em razão da política de arrocho salarial imposta pelo governo estadual.
Arrocho salarial, retirada de direitos e sucateamento da Polícia Civil
O cenário de perdas salariais é agravado por uma série de políticas que aprofundaram a precarização da Polícia Civil. Falta de efetivo, sobrecarga de trabalho, sucateamento das estruturas físicas, retirada de direitos históricos — como a paridade e a integralidade da aposentadoria —, ausência de critérios claros nas promoções e o fim da simetria dos comissários com os capitães da Brigada Militar compõem um quadro de desvalorização contínua da categoria.
O resultado direto dessas políticas é uma Polícia Civil empobrecida, adoecida e desmotivada. Cada vez mais, policiais civis buscam alternativas em outros concursos e carreiras do serviço público como forma de preservar sua saúde física e mental.
Enquanto o poder de compra dos salários diminui ano após ano, o endividamento cresce, os riscos inerentes à profissão permanecem elevados e a demanda de trabalho só aumenta. Esse contexto projeta um futuro preocupante para a Polícia Civil e, por consequência, para a segurança pública no Rio Grande do Sul.
Aposentados: os mais penalizados pela política do governo
Se os policiais da ativa já enfrentam perdas significativas, a situação dos aposentados é ainda mais grave. Sem progressões funcionais decorrentes de promoções, sem acesso a benefícios como o sobreaviso, sem horas extras e com o fim da paridade e da integralidade, esses servidores foram praticamente abandonados pelo governo.
A lógica adotada pelo Governo trata trabalhadores como peças descartáveis: úteis enquanto produzem e facilmente descartáveis quando se aposentam. Foi essa lógica que levou à retirada de direitos históricos, à cobrança de contribuição previdenciária adicional e à completa desvalorização de policiais que dedicaram décadas de suas vidas à proteção da sociedade gaúcha.
A contradição se torna ainda mais evidente quando se recorda que o próprio governador Eduardo Leite só abriu mão de sua aposentadoria especial, após quatro anos no cargo, depois de forte pressão pública e questionamento judicial. Em junho de 2022, após receber um mês de aposentadoria no valor de quase R$ 30 mil, Leite voltou atrás somente após determinação da 4ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre. À época, chegou a se referir ao benefício como “subsídio”, numa tentativa de relativizar o privilégio. O episódio ilustra a máxima do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
FONTE – ASCOM UGEIRM