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Com a presença de seis pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, painel de encerramento da Assembleia de Verão da Famurs, em Torres, no Litoral Norte, foi marcado pelo tom de acirramento político. Com mediação da presidente da entidade, Adriane Perin, o encontro foi a primeira oportunidade de encontro dos possíveis postulantes, assim como deixou em evidência as suas bandeiras ou enfoques.
Ao abrir o evento, Adriane destacou a importância de a entidade municipalista sediar o primeiro encontro entre os pré-candidatos, aproximando os postulantes das demandas dos municípios, que foram descritos repetidamente por diferentes participantes, como o lugar “onde as coisas realmente acontecem”.
O primeiro bloco foi dedicado à apresentação dos pré-candidatos, que tiveram a ordem de fala definida por sorteio. Primeiro foi o pré-candidato Edegar Pretto (PT), que destacou sua trajetória ligada à gestão pública e à atuação junto aos municípios. Ex-presidente da Assembleia Legislativa e atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), afirmou que o Estado precisa reforçar a parceria com as prefeituras para retomar o desenvolvimento. “O Estado não pode se comportar como adversário ou inimigo dos setores produtivos. O Estado deve ser parceiro, principalmente, dos municípios”, afirmou. Pretto também defendeu a articulação entre os diferentes níveis de governo. “Se eu tiver a honra de governar este Estado, os prefeitos e as prefeitas serão recebidos e o diálogo será permanente para que possamos, conjuntamente, Estado, União e municípios, colocar um novo caminho de desenvolvimento para o nosso Rio Grande”, disse.
Já o pré-candidato Marcelo Maranata (PSDB) enfatizou sua experiência como prefeito de Guaíba e afirmou que a realidade das cidades precisa ter maior peso nas decisões políticas. Segundo ele, os gestores municipais enfrentam cada vez mais demandas com recursos limitados. “O Brasil não é Brasília, o Brasil não é o Palácio Piratini. O Brasil é na cidade, onde a gente enfrenta, a cada dia, mais dificuldades, mais demandas e menos recursos no bolso do prefeito”, declarou. Maranata destacou o fato de ser o único prefeito em exercício entre os pré-candidatos e disse que pretende levar essa experiência para o debate estadual. “Estou aqui para segurar na mão de cada prefeito, porque só quem está no dia a dia do Brasil de verdade sabe o desafio e a angústia de governar uma cidade”, acrescentou.
O deputado federal Luciano Zucco (PL) afirmou que o Rio Grande do Sul precisa retomar o crescimento econômico e criticou o desempenho do Estado nas últimas décadas. Segundo ele, é necessário mudar o modelo de gestão para enfrentar problemas históricos. “Há mais de 20 anos o nosso querido Estado é o que menos cresce entre todos os Estados da Federação. O Rio Grande do Sul pode e merece muito mais”, disse. Zucco também destacou a necessidade de maior articulação política entre as diferentes esferas de poder. “Precisamos de força política, de voz, unir a Assembleia, unir a bancada federal e unir a política gaúcha com os nossos prefeitos”, ressaltou.
O atual vice-governador Gabriel Souza (MDB) apresentou sua pré-candidatura defendendo a continuidade e o aprofundamento das ações do atual governo estadual. Ele relembrou sua atuação como deputado estadual, líder do governo e presidente da ALRS durante a agenda de reformas. Segundo Souza, as mudanças permitiram reorganizar as contas públicas e ampliar investimentos em parceria com os municípios. “Agora, como vice-governador do Estado, tenho trabalhado com afinco para que consigamos avançar ainda mais”, afirmou. Ao se apresentar como pré-candidato, disse representar a continuidade desse processo. “Estou aqui como pré-candidato ao governo do Estado me apresentando como a evolução dessa agenda. Uma evolução que sempre é necessária, mas responsável, sem que percamos tudo o que construímos juntos”, concluiu.
Única mulher, a pré-candidata Juliana Brizola (PDT) destacou a importância da presença feminina nos espaços de poder e defendeu uma política voltada à solução dos problemas da população. Ao agradecer o espaço concedido pela Famurs, ressaltou a necessidade de ampliar a participação das mulheres nos cargos de decisão. “Eu fico muito feliz de saber que a Famurs tem uma presidente mulher. A participação das mulheres na política já existe, mas nós precisamos estar também nos lugares de decisão”, afirmou. Juliana também criticou a polarização política e disse que o foco da gestão pública deve ser o atendimento às demandas da sociedade. “O papel da política é cuidar das pessoas. Precisamos deixar um pouco de lado as vaidades e dialogar, independentemente do partido”, pontuou.
Por fim, o deputado federal Luís Antônio Covatti, o Covatti Filho (Progressistas), destacou a importância da pauta municipalista e da articulação partidária na construção de um projeto para o Estado. Presidente estadual do Progressistas, ele ressaltou que o partido reúne o maior número de prefeituras no Rio Grande do Sul e afirmou que a experiência municipal precisa ser considerada nas decisões do governo estadual. “A vida acontece nos municípios do Rio Grande do Sul. Todo mundo sabe onde mora o prefeito, o vereador, o vice-prefeito, e é ali que as pessoas procuram solução para seus problemas”, disse. Covatti também mencionou a construção de uma aliança entre partidos de direita para a disputa estadual. “Estamos construindo uma aliança da direita que hoje tem dois pré-candidatos a governador, eu e o deputado Zucco, deixando vaidades de lado para criar um ambiente e apresentar um plano de governo firme ao Estado”, finalizou.
FONTE – CORREIO DO POVO