Notícia
Apresentações ocorrerão entre os meses de agosto e novembro
O Projeto Sonora Brasil Sesc 2016 promove quatro circuitos com entrada franca a partir do mês de agosto, em Ijuí. Com o tema “Cantos de Trabalho”, o projeto traz apresentações relacionadas ao assunto. Os espetáculos gratuitos ocorrem entre os meses de agosto e novembro, no Teatro do Sesc Ijuí (Rua Crisanto Leite, 202), sempre às 20h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (55) 3332-7511 e pelo Facebookwww.facebook.com/sescijuirs.
O primeiro circuito “Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente” está programado para o dia 12 de agosto; o segundo circuito “Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa” será no dia 12 de setembro; o terceiro “Ilumiara”, acontecerá no dia 23 de outubro; e o quarto e último circuito deste ano “Quebradeiras de Coco Babaçu”, ocorrerá no dia 20 de novembro. Confira o cronograma completo, abaixo.
Sobre o Sonora Brasil – Promovido pelo Sesc, o projeto é considerado o maior do País em circulação musical e, em 2015 promoveu 480 concertos em mais de 130 cidades brasileiras. O Sonora Brasil cumpre a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. A formação de plateia é o que se busca por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música, estimulando o olhar crítico sobre a produção e os mecanismos de difusão da música no país.
Todas as apresentações são essencialmente acústicas, valorizando qualidade sonora das obras e de seus intérpretes. Desde a sua primeira edição, em 1998, já passaram pelo projeto cerca de 80 grupos em mais de 3.900 apresentações por todo o país, alcançando um público superior a 520 mil espectadores. No Rio Grande do Sul, as atividades do Sonora Brasil integram a agenda do Arte Sesc – Cultura por toda parte.
Projeto Sonora Brasil Sesc 2016 – Ijuí
Horário: sempre às 20h
Local: Teatro do Sesc Ijuí (Rua Crisanto Leite, 202)
Entrada franca
12/08 – Circuito 1 – Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente
As cantadeiras do sisal são mulheres que trabalharam por muito tempo nas várias etapas de produção da fibra, desde o plantio até a fabricação dos produtos derivados e que hoje são artesãs, ofício que aprenderam a partir de projetos desenvolvidos na região com o objetivo de criar alternativas de trabalho para as mulheres que desenvolviam atividades pesadas e mal remuneradas no ciclo de produção do sisal. Ailton Aboiador e Ailton Jr., pai e filho, são aboiadores reconhecidos na região. O pai trabalhou por muitos anos na lida com o gado, transportando boiadas pelos campos do semiárido baiano. O aboio “pé duro” foi sua ferramenta de trabalho e as toadas foram sua companhia das horas de descanso no campo. O filho, desde criança, acompanhava seu pai na lida com o gado e, já na adolescência, formava dupla cantando aboios e toadas.
12/09 – Circuito 2 – Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa
Os cantos das destaladeiras são entoados em várias vozes, com uma só voz no improviso dos versos geralmente tirado pelas líderes do salão, são em forma de trovas rimadas e têm como característica serem arrastados e sem acompanhamento instrumental. O grupo traz no repertório, além das canções tradicionalmente entoadas na rotina laboral da destalação, cantigas de barreiro e tapagens de casa, os rojões de eito entoados nas tarefas da roça e o pagode, música que embalava as festas em que a comunidade comemorava o chamado derradeiro dia de fumo, no encerramento da safra. O grupo é formado por Josefa Correia Lima dos Santos, Isabel Cipriano dos Santos, Regineide Rosa dos Santos, Rosália Gomes dos Santos e Rosinalva Farias dos Santos, além de Mestre Nelson Rosa.
23/10 – Circuito 3 – Ilumiara
O Ilumiara é formado por cinco músicos da cidade de Belo Horizonte que também atuam como pesquisadores, sendo o único dos quatro grupos que não está relacionado a uma prática da tradição. Além das músicas apresentadas, o grupo traz em seu espetáculo a contextualização histórico-social dos cantos de trabalho no Brasil. Sua apresentação levará ao público um repertório de cantos de trabalho recolhidos da tradição, diretamente em suas fontes ou a partir de registros de pesquisadores pioneiros como Mário de Andrade, Oswaldo de Souza e Ayres da Mata Machado. O grupo interpreta vissungos, cantigas de ninar, canto de lavadeiras, entre outros, em arranjos elaborados a partir de uma visão estética contemporânea. O Ilumiara é formado por Alexandre Gloor, Carlinhos Ferreira, Leandro César, Letícia Bertelli e Marcela Bertelli.
20/11 – Circuito 4 – Quebradeiras de Coco Babaçu
Descrição: O grupo é formado por oito mulheres que trabalham na quebra do coco babaçu desde a infância e hoje também exercem o importante papel de liderança na defesa e valorização do trabalho das quebradeiras, na preservação e na garantia de acesso às áreas de ocorrência da palmeira do babaçu. Atuam politicamente por meio da Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (Assema) e do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que está sediado em São Luís e engloba seis regionais organizadas em três municípios maranhenses e outros três localizados no Piauí, em Tocantins e no Pará. O MIQCB foi criado na década de 1980 e sua atuação tem contribuído de maneira consistente para a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida das pessoas envolvidas nesta atividade. A criação do grupo ocorreu em 2004 com o apoio do MIQCB e da Assema, e realizou várias apresentações desde então identificado como As Encantadeiras. Sua formação reflete a abrangência geográfica do trabalho desenvolvido pelo Movimento das Quebradeiras contando com a participação de representantes das seis regiões onde a instituição possui representação. São elas: Dora, Moça e Silena, de Lago do Junco (MA); Nice, de Penalva (MA); Dijé, de São Luís Gonzaga (MA); Iracema, de São Domingos do Araguaia (PA); Francisca Lera, de Esperantina (PI); e Nonata, de São Miguel (TO).
Data da publicação: 2016-07-25