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Palestrante elogia universidades comunitárias, por fazerem o elo entre o mundo das ideias e a prática
“Ética, Ciência e Cidadania no fazer-se Universidade” é o tema que reúne professores e acadêmicos das seis unidades da URI em Santo Ângelo, neste dia 22 de outubro, quando acontece o XXI Seminário de Iniciação Científica. Em paralelo, são realizados o XIII Seminário de Extensão, o XIX Seminário de Integração em Pesquisa e Pós-graduação e o III Colóquio Tecnológico da URI.
Com 700 inscritos, o Seminário teve abertura às 9h, no auditório do prédio 13, onde antes da cerimônia, os presentes aplaudiram performances artísticas de João Pedro Marasca, aluno da Escola da URI Santo Ângelo, na gaita, e da Cia Burzum de arte circense.
A mesa dos trabalhos foi integrada pelo Reitor Luiz Mario Spinelli, o presidente da FuRI Bruno Mentges, o Pró-Reitor de Pesquisa, Extensão e Pós-graduação Giovani Palma Bastos, o Secretário Adjunto da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do RS Renato de Oliveira, os Diretores do Câmpus de Santo Ângelo Gilberto Pacheco, Marcelo Stracke e Berenice Wbatuba, a representante da Câmara Municipal, vereadora Jaqueline Possebom, o representante da Secretaria Municipal de Educação Amílcar Guidolin, o Coordenador do Comitê Científico do SIIC João Carlos Krause, a Coordenadora do Ceapex e do evento Daniela Gonzales, a Coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa da URI Lizete Piber e o presidente do DCE Jonathan Costa.
Ao dar as boas-vindas aos presentes, o Diretor-Geral Gilberto Pacheco destacou os objetivos do evento e disse que “apesar de o momento exigir cautela, temos a satisfação de comunicar a conquista do Parque Tecnológico e da Incubadora URINova no Câmpus de Santo Ângelo”. Pacheco observou que momentos como este animam a Universidade e marcam a vida acadêmica. Citando discurso de Steve Jobs aos seus paraninfados em 2005, Pacheco instigou os acadêmicos a continuarem “com fome e bobos”, metáforas que remetem à fome de conhecimento e realização e à singeleza de espírito que faz o indivíduo se encantar com o novo e a descoberta.
O Pró-Reitor Giovani agradeceu a presença dos participantes e parabenizou-os por seus projetos que “contribuem para o engrandecimento da Ciência. “Apesar das dificuldades, que sabemos momentâneas, continuemos firmes em busca da nossa missão em torno do conhecimento”.
Em sua manifestação, o Reitor Luiz Mario Spinelli disse que “o momento é decisivo para a URI, para reiterar nosso compromisso com o conhecimento. Referindo-se às dificuldades enfrentadas no país, Spinelli disse ter a intuição de que “este momento vai abrir um espaço muito importante para as universidades comunitárias. Quem estiver solidamente constituído e comprometido com a sociedade, sem dúvida conseguirá superar. Parabéns a todos que consolidam o compromisso da URI com as regiões onde está inserida.”
IDEIAS X PRÁTICA NA UNIVERSIDADE
Apresentado pelo Diretor Acadêmico Marcelo Stracke, o palestrante Renato de Oliveira começou dizendo que sempre se encantou com o projeto de Universidade da URI, “porque entre os ícones que as comunitárias criaram, a URI é a que mais dá sentido ao aspecto comunitária, descentralizada e com o propósito de integrar a Região”. Ele concorda que vivemos uma crise, “mas neste período em que todo o País realiza a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o Rio Grande do Sul é o estado que tem mais atividades nesta área, cinco mil. Isso mostra como lidamos com a crise”.
Depois, convidou o público a fazer um passeio pela História, mostrando com exemplos de diferentes civilizações, que apenas a partir do Renascimento, o homem passou a considerar que as atividades físicas e práticas, tinham dignidade. Até então, o que tinha valor era o mundo das ideias. A própria Universidade, até o início do século 19, não valorizava as questões práticas. E no entanto, o mundo precisava de soluções práticas.
Foi a partir da Universidade de Humboldt, Alemanha, explicou o palestrante, que mudanças profundas deram suporte ao desenvolvimento industrial na Alemanha, no Japão, nos Estados Unidos. “Infelizmente, o Brasil ficou afastado disso e não temos no DNA, o conceito de uma universidade envolvida com os problemas práticos da vida. Vem daí a dificuldade em inovarmos no ensino superior”.
Renato de Oliveira encerrou sua palestra dizendo que as universidades comunitárias têm duas virtudes: “Não são estatais e estão diretamente comprometidas com suas regiões. Elas estão muito aptas a fazer o elo entre o mundo das ideias e o da prática. Neste sentido, considero que o Comung (Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas) é um patrimônio do Rio Grande, como perspectiva de desenvolvimento”.
Renato de Oliveira temgraduação em Ciências Sociais pela UFRGS e doutorado em Sociologia na França. Atualmente é professor colaborador do Centro Universitário Univates e assessor do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia da Ética, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino superior, autonomia universitária, universidade brasileira, desenvolvimento regional e universidade e sociedade.
Data da publicação: 2015-10-22